Um upgrade, mas não um status de soberania total

Reconhecimento dá a líderes palestinos perfil mais importante nos debates nas Nações Unidas

Análise: Louis Charbonneau / Reuters, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h50

O novo status da Palestina como Estado observador na ONU dá a seus líderes um perfil mais importante durante as discussões nos debates nas Nações Unidas, além da possibilidade de integrar outros fóruns multilaterais internacionais. Mas essa nova situação ainda não é suficiente para dar aos palestinos o poder de voto nas sessões da Assembleia-Geral.

As Nações Un idas não podem dar à Palestina a condição de nação soberana sem o aval do Conselho de Segurança da entidade. No caso dos palestinos, que tentaram esse tipo de reconhecimento no ano passado, essa pretensão seria barrada no conselho pelo poder de veto dos EUA. Aliado mais próximo de Israel, Washington entende que um Estado palestino totalmente soberano só poderá resultar ao fim de um acordo final com os israelenses - que assegure a solução de "dois Estados independentes convivendo lado a lado e em paz com seus vizinhos", como estabelecem os Acordos de Oslo.

Israel ameaça retaliar a iniciativa de Mahmoud Abbas de pedir a elevação de seu status na ONU com a retenção de impostos e algumas outras taxas arrecadadas em áreas palestinas e depois repassadas à administração de Abbas. Os EUA também ameaçam suspender a ajuda financeira aos palestinos, que corresponde a 22% do orçamento da Autoridade Palestina (AP).

Politicamente, porém, a iniciativa de Abbas reforça sua facção moderada e laica, a Fatah, diante da rival islamista radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza e é muito mais refratária às turbulentas negociações de paz com Israel. Esse fator, segundo alguns analistas, seria o principal motivo para que os EUA não suspendam sua ajuda à AP. Nas áreas palestinas, pouca coisa muda. Os palestinos entendem que o novo status deve desencorajar Israel a ampliar os assentamentos na Cisjordânia, uma vez que seu Estado está reconhecido. Poucos, além deles, acreditam nisso.

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