'Uma bandeira não adianta', diz irmã de vítima

"Passamos anos pedindo pela libertação por meio do diálogo, que agora terminam com a entrega de uma bandeira, e dizem que nossos parentes são heróis. Entregar uma bandeira não adianta nada", disse Margarita Hernández, irmã de Elkin Hernández Rivas.

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h01

Entre parentes dos reféns fuzilados pelas Farc, as manifestações são de indignação não só com a guerrilha, mas também com o Exército e o governo colombiano. Muitos reprovam a decisão de Bogotá de tentar o fim dos sequestros por meio de operações militares e insistem que o diálogo é a melhor solução para as libertações.

Darío Duarte, pai do coronel Édgar Yesid Duarte, responsabilizou as Forças Armadas pela morte do filho na fracassada operação de resgate. "É uma política do governo ter oficiais para que sejam assassinados pela polícia. O Exército é o culpado", afirmou à imprensa colombiana.

Parentes de Libio José Martínez também falaram com revolta sobre a operação. A prima do sargento, Fanny Martínez, disse que a ação das Farc é imperdoável. "O que fizeram não tem nome, é uma verdadeira infâmia. A família toda agora sente muita raiva".

A mulher de Martínez, Claudia Tulcán, lembrou que o marido não chegou a conhecer o filho. "Tiraram o direito de o meu filho ter um pai. Terminem com essa guerra absurda, para que o conflito não continue vitimando crianças como o meu filho Johan, que sofre com esse flagelo desde o nascimento".

Marleny Orjuela, líder de um grupo de parentes de reféns das Farc, criticou a operação, lembrando que as famílias são contra os resgates a "sangue e fogo".

Os reféns soltos pela guerrilha nos últimos anos também criticaram a tentativa de resgate. O ex-senador Luis Eládio Pérez, libertado em 2008 depois de 6 anos em poder da guerrilha, disse que as execuções foram um ato vil e afirmou que é preciso investigar a responsabilidade do governo nos assassinatos, já que "todos sabem perfeitamente que tentativas de resgate militar representam um altíssimo risco para a vida dos sequestrados".

"Eram quatro heróis da pátria que, durante milhares de noites, sonharam com a liberdade", disse o ex-governador do Departamento de Meta Alan Jara, solto em 2009 após 7 anos de cativeiro. "É um crime de guerra pelo qual as Farc devem responder", disse Sigifredo López, último refém político do grupo, libertado em 2009 após 6 anos.

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