Uma barra de sabão é a diferença entre a vida e a morte

Nas favelas de Porto Príncipe e nas cidades ribeirinhas onde a epidemia de cólera começou há três semanas, haitianos levantam as mãos e balançam as cabeças. Dizem que não têm sabão para conter uma infecção que se espalha por água e alimentos contaminados. Ali, uma lavagem vigorosa das mãos, especialmente depois de usar o banheiro, é a principal maneira de salvar vidas.

Cenário: William Both, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

Um barra de sabão haitiano amarelo custa cerca US$ 0,50. Muitos não podem pagar. Mais da metade da população vive com menos de US$ 1,25 por dia. "Eles preferem comprar comida", diz Gaelle Fohr, uma coordenadora de programas de higiene da ONU. "Pegamos dinheiro emprestado e compramos, mas neste momento não temos mais sabão em casa. Lamento dizer", diz Joceline Jeune, que vive com três filhos numa favela à beira de um campo de desabrigados.

Mais de US$ 3,4 bilhões em ajuda chegaram desde o terremoto que atingiu a capital em janeiro, matando 300 mil pessoas e desalojando mais de 1,5 milhão. Há planos para mais caminhões de água, cloro em tanques, poços e pontos de distribuição de água. Mas construir um moderno sistema de água e esgoto demora anos. Por contraste, o sabão é rápido e viável.

Esta é uma cepa extremamente virulenta e contagiosa. Pode matar em algumas horas. Há bem mais de um milhão de pessoas em acampamentos, uma doença que se espalha por mão, boca, toque, água. Ela pode ficar dormente por cinco dias. Não se pode dizer quem está infectado. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É REPÓRTER DO "WASHINGTON POST"

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