Uma campanha disfarçada na reta final

Embora a campanha eleitoral na Colômbia formalmente tenha se encerrado no último fim de semana, ela segue de maneira disfarçada em dois casos que envolvem políticos e denúncias de espionagem.

CENÁRIO: Rodrigo Cavalheiro*, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2014 | 00h08

O capítulo de mais repercussão no noticiário local foi a declaração do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na quarta-feira, de que pretende pedir a extradição de María Pilar Hurtado, chefe do extinto Departamento Administrativo de Segurança durante o governo do ex-presidente Álvaro Uribe.

Envolvida em denúncias de espionagem que ameaçaram atingir Uribe, ela alegou perseguição política do atual governo para pedir asilo político ao Panamá. Sua distância da Justiça colombiana até agora tranquilizava o uribismo.

Santos aproveitou uma declaração do governo panamenho de que a extradição de María era possível para acuar Uribe. Deu uma entrevista diante de um painel onde se lia "Santos presidente", afirmando que pedirá a extradição, dada como certa por especialistas. Ontem, Uribe reagiu timidamente, dizendo que "não deveria se usar o caso eleitoralmente".

Outro caso que teve avanço ontem foi o do vídeo que liga o candidato de Uribe e provável rival de Santos no segundo turno, Óscar Iván Zuluaga, a um hacker que tentava vender segredos sobre a negociação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mantida em Havana desde 2012. O hacker Andrés Sepúlveda está preso desde o dia 6.

O autor do vídeo, o espanhol Rafael Revert, o entregou à polícia no domingo e reafirmou na quarta-feira que ele era autêntico.

Ontem, como havia prometido, Zuluaga levou à Procuradoria-Geral "provas" de que se trata de uma montagem.

É provável que a perícia não tenha tempo de dar um parecer definitivo até a eleição de domingo, mas o resultado técnico pautará parte da campanha do provável segundo turno.

*Rodrigo Cavalheiro é subeditor de Internacional

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.