Uma célula do tea party no centro liberal

Movimento republicano radical cresce em bairro de Los Angeles

Denise Chrispim Marin ENVIADA ESPECIAL / LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

Na mesma Califórnia que votará a legalização da maconha nas eleições do dia 2, nas quais o Partido Democrata é favorito, um braço da ultradireita do Partido Republicano amadurece na vizinhança do Parque Pollywog. A área de lazer para crianças e aposentados do bairro de South Bay, em Los Angeles, foi o local de criação de uma célula do Tea Party em abril do ano passado sob a liderança de Gary Even, morador local.

Ele recebeu no fim da tarde de segunda-feira um grupo de jornalistas estrangeiros organizado pelo Foreign Press Center, órgão do Departamento de Estado americano. Não quis dizer qual era sua profissão. "Tenho emprego, pago imposto e sou um cara do Tea Party", afirmou. Mas se mostrou mais aberto para atacar a imprensa americana e o governo "socialista" do presidente Barack Obama. Animado, apresentou conceitos do Tea Party que ferem a racionalidade.

"Tenho amigos escandinavos, como você, que fugiram da opressão socialista desses países para os EUA", respondeu a um jornalista dinamarquês que lhe apontara a Escandinávia como exemplo de região onde o conceito de social-democracia funciona bem.

Even não se deixou intimidar pelas gargalhadas. Repetiu a doutrina do Tea Party, como um bom discípulo do apresentador de rádio e TV Glenn Beck e a ex-governadora do Alasca Sarah Palin, os ícones do movimento. Deu especial atenção à necessidade de limitação do tamanho do Estado e de sua interferência em decisões privadas dos cidadãos, sob o pretexto de ser esse o princípio vital da Constituição americana. Como ele mesmo lembrou, o Tea Party defende a extinção dos Departamentos (ministérios) da Educação e da Assistência Social, entre outros.

Ao ser questionado sobre a razão pela qual a redução do Estado não foi defendida durante o governo de George W. Bush (2001-2009), que iniciou seu governo com superávit fiscal e o entregou a Obama com um déficit bilionário, Even respondeu que a repórter era "ignorante" e "maluca". Para ele, Bush foi "responsável" no gerenciamento das contas públicas americanas. "Obama é um socialista cercado por comunistas."

O South Bay não quer o Tea Party como um novo partido e pretende mantê-lo conectado à legenda republicana. Tampouco dá, por antecipação, seu voto a Sarah Palin na disputa pela presidência dos EUA, em 2012.

Na Califórnia, o Tea Party já deu mostras de que não deverá prosperar, como em outros Estados. O movimento não conseguiu atrair o eleitorado californiano no momento em que estava mais irritado com a economia estagnada e o aumento do desemprego. Segundo Darry Sragow, diretor interino da Universidade do Sul da Califórnia, essa fase já passou no Estado. O Tea Party, na Califórnia, perdeu o bonde.

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