Uma força violenta, cruel e bem equipada

CENÁRIO: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2014 | 02h01

O Estado Islâmico é muito organizado, violento, bem equipado e treinado - talvez seja o primeiro grupo jihadista a adotar o mesmo modelo rigoroso das organizações militares convencionais. O EI é, sobretudo, cruel.

Há menos de um ano, a força rebelde entrou em Raqqa, no leste da Síria. Fez prisioneiros, executou dezenas de rivais e confiscou bens - carros, computadores e, claro, dinheiro. A informação chegou ao mundo em julho, quando levas de refugiados foram recebidas na Europa. Exilados falavam em "ondas de fogo" para definir a ação do EI.

O fator determinante da periculosidade do grupo "é sua preocupação de atuar como um Exército", disse ao Estado um ex-oficial britânico da área de inteligência. Na prática, a organização exige a existência de um Estado-Maior dedicado ao planejamento e significa uma força construída no formato de batalhões de 240 a 260 combatentes subordinados a rígida cadeia de comando. Esses blocos são divididos entre 20 e 22 times de 12 homens liderados por um oficial e equipados com sistemas de comunicações, fuzis AK-47, lançadores de granadas e explosivos. Eventualmente, contam com apoio de canhões russos Shipunov 2A42. Montados sobre utilitários médios e rápidos, os Shipunov apresentam surpreendente eficiência, com plataformas estabilizadas por giroscópios que permitem disparos precisos.

O EI recebe mísseis táticos terra-terra com alcance na faixa entre 300 km e 400 km. Seriam equivalentes às últimas versões do modelo soviético Scud apresentadas há 25 anos e ainda encontradas em 12 países do Oriente Médio, Ásia e África. Modernizadas na Coreia do Norte e no Irã, podem levar até 700 quilos de explosivos. A reconstrução aperfeiçoou a central de guiagem eletrônica.

O poder de fogo do EI - que, segundo relatório da Agência Central de Inteligência (CIA), estaria na iminência de incorporar aviões de ataque leve - é garantido por técnicos iraquianos do período de Saddam Hussein e por estrangeiros de várias origens recrutados pelos rebeldes. Há sírios, iemenitas, líbios, congoleses, ingleses.

Graças ao trabalho desse contingente, o EI sofistica seus recursos. O comando expedicionário francês - que na semana passada usou um esquadrão de caças Rafale em um bombardeio sobre o centro logístico dos rebeldes em Zumar, no nordeste do Iraque - identificou no local o funcionamento de pelo menos um centro de comando e controle. Os agentes localizaram uma sala com computadores, rádios criptografados e a estrutura destinada a facilitar a coordenação das operações de campo e a integração das forças envolvidas.

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