Uma guerra de gerações

Análise: David Brooks / NYT

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2012 | 03h02

Então vai ser Ed Norton versus Alex Keaton. O que vimos na quinta-feira à noite no debate vice-presidencial não foi somente uma discussão sobre política, foi um olhar para duas eras diferentes na vida familiar americana.

O vice-presidente Joe Biden entrou no Senado em 1973, quando os velhos gigantes democratas do New Deal ainda circulavam pela Terra. Era um tempo em que havia, mais que agora, sotaques regionais e maior distância da influência homogeneizadora da cultura de massa. Era uma cultura em que a emoção era exposta. Os democratas obviamente ficarão animados com seu desempenho agressivo, passional e ofensivo. Biden claramente pôs fim à degringolada psíquica. Ele atacou o deputado Paul Ryan sobre a inexplicabilidade do plano fiscal republicano e teve seus melhores momentos nos temas em que Ryan era mais forte, como orçamentos.

Mas muitas pessoas ficariam felizes se pudessem esmurrar Biden, e não apenas republicanos. O que os independentes mais querem? Querem pessoas que pratiquem um tipo de política mais respeitoso, talvez até silenciando para ouvir por um segundo. A esses, Biden parecerá uma caricatura desconcertante da pior política no velho estilo.

Ryan vem de uma era diferente, da academia de malhação. O tom era ameno, não quente. A meritocracia havia se imposto e jovens ambiciosos aprenderam a adotar um modo de baixa fricção. Ryan veio dessa cultura, assim como Barack Obama. Essa é uma geração armada de autocrítica. Nessa geração, as pessoas torcem o nariz para alguém tão exuberantemente assertivo como Biden. Ryan foi forte nas falhas econômicas de Obama, forte no debacle da Líbia e teve poucas chances de salientar as fraquezas cruciais da campanha de Obama: a relativa ausência de agenda positiva e grandes planos para os próximos quatro anos.

No fim, os eleitores terão notado uma grande ironia. Emocionalmente, Biden dominou a noite. Os democratas estava se perguntando se o governo Obama era uma força gasta, exaurida demais para continuar. Não precisam se perguntar mais. Mas, substantivamente, as propostas de Romney-Ryan foram o centro da atenção. Algumas são populares (impostos). A maior parte da discussão foi sobre planos de Romney porque o outro lado simplesmente não tinha muitos. O homem mais velho mostrou virilidade, mas, de certa maneira, isso parecerá velharia para muitos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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