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Uma herança política e de problemas econômicos

Análise: Charlie Devereux / Bloomberg

É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h00

Nicolás Maduro conta com uma onda de simpatia do eleitorado de Hugo Chávez para as eleições de amanhã. Mas, se vencer, terá de lutar com os próprios recursos para combater a aceleração da inflação, a escassez de bens de consumo e um crescimento cada vez menor.

Nas duas semanas de campanha, Maduro exibiu um vídeo do discurso de Chávez no dia 8 de dezembro, no qual o presidente socialista pedia aos venezuelanos que votassem em seu ex-chanceler, caso não sobrevivesse à operação de câncer, em Cuba. Maduro, que se define "filho de Chávez", mencionou o nome do predecessor mais de 7.100 vezes desde que ele morreu, em 5 de março, segundo um site que acompanha os seus discursos.

Embora Maduro seja o favorito para derrotar o candidato da oposição, Henrique Capriles, há um crescente descontentamento com a situação econômica, disse Luis Vicente León, presidente da empresa de pesquisas de opinião Datanálisis.

Durante os 14 anos em que permaneceu no poder, Chávez aumentou o controle do Estado sobre a economia, estatizando mais de mil companhias ou seus ativos e introduzindo o controle da moeda e dos preços.

Explorou uma das maiores reservas de petróleo do mundo para ajudar a reduzir a pobreza a 29,5% em 2011, em comparação com 48,6% em 2002, segundo dados da ONU. Maduro, ex-motorista de ônibus e líder sindical que presidiu a Assembleia Nacional até 2006, disse que as eleições são uma opção entre capitalismo e socialismo. "São eles e o seu capitalismo, ou nós, a pátria e o socialismo", disse há uma semana.

Chávez venceu sua terceira reeleição em 7 de outubro, derrotando Capriles por 11 pontos porcentuais, depois de elevar os salários, construir milhares de casas para as famílias mais pobres e aumentar as importações baratas a fim de reduzir a inflação. Os enorme gastos ajudaram a economia a crescer 5,5% em 2012.

Em 2012, o aumento de 16,5% das importações no quarto trimestre levou a Venezuela a registrar um déficit da conta corrente pela primeira vez desde 2009. Isso obrigou o governo a desvalorizar o bolívar em 32% em fevereiro, na tentativa de fechar o déficit fiscal do governo central e da estatal petrolífera PDVSA, de 14,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo ano, informou o Bank of America. Mesmo depois da desvalorização, o banco disse prever um déficit de 9,7% neste ano.

A escassez de dólares levou também Maduro a revelar um sistema de leilão da moeda americana, em março, a fim de conter o mercado de câmbio não regulamentado no qual a divisa é negociada a quase quatro vezes a taxa oficial de 6,3 bolívares por dólar. O governo não informou a taxa de câmbio usada no leilão. "Em cem dias, eles impuseram duas desvalorizações", afirmou Capriles no dia 20. "O que estas medidas significam de fato é que os preços continuarão subindo e será mais difícil conseguir produtos."

Os preços ao consumidor aumentaram 23% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano anterior, o ritmo mais rápido em dez meses e a taxa mais elevada do hemisfério. Aos aumentos dos preços soma-se a escassez de produtos. O índice de escassez do banco central, que mede a quantidade de bens que não estão no mercado, atingiu uma alta recorde de 20,4% em janeiro.

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