Uma ilha de estabilidade na América do Sul

CENÁRIO: Ariel Palacios

O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2014 | 02h06

No dia 25 de novembro de 1984, após uma ditadura militar de 12 anos, os uruguaios voltaram às urnas para eleições presidenciais livres. Desde então, todos os presidentes eleitos nas sete votações realizadas completaram seus mandatos na plenitude de seus poderes. Nenhum outro país da América do Sul, exceto o Chile e a Colômbia, ostentam essa marca, já que os restantes tiveram renúncias presidenciais, impeachments, tentativas de golpe de Estado, rebeliões populares e até o assassinato de um vice-presidente, o paraguaio Luis María Argaña.

Os oito primeiros anos da volta à democracia no Chile tiveram o general Augusto Pinochet como chefe do Exército e, na Colômbia, o governo não controla o país inteiro, já que muitas áreas estão em poder da guerrilha ou dos paramilitares. Desta forma, o Uruguai é o único invicto em toda a região.

Desde o início do século 20, o Uruguai caracterizou-se por ser um país de leis de vanguarda na América Latina. Em 1907 aprovou a lei de divórcio (sete décadas antes de todos seus vizinhos); em 1915, implementou a jornada de oito horas de trabalho e, em 1932, tornou-se o segundo país das Américas a conceder o direito de voto às mulheres. Um século depois de suas primeiras lei de vanguarda, transformar-se em 2007 no primeiro Estado latino-americano a contar com uma lei de união civil entre pessoas do mesmo sexo em todo seu território.

Em 2012, o Uruguai tornou-se o primeiro país da América do Sul a aprovar a descriminalização da interrupção da gravidez. No ano passado, o Parlamento aprovou a lei que regula a produção, comercialização e consumo da maconha, exclusivamente para uruguaios residentes no país.

O Uruguai é considerado o país mais laico das Américas. O juramento de posse do presidente exclui qualquer referência a Deus, que jura por sua honra pessoal e pela Constituição. Não há crucifixos no Parlamento ou nas repartições e hospitais públicos. Os católicos "formais" (a maioria não é praticante) restringem-se a 47,1% da população. Os outros 40,4% não possuem religião.

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