Uma indiana se mata a cada quatro horas por disputas pelo dote

Dados oficiais apontam que 2.276 mulheres se mataram por disputas pelo dote com a família do marido em 2006

EFE

24 de dezembro de 2007 | 04h39

Uma mulher se suicida a cada quatro horas na Índia devido a disputas pelo dote com a família do marido, segundo uma estatística oficial publicada nesta segunda-feira. Segundo dados do Escritório Nacional de Registro de Crimes (NCRB, em inglês), 2.276 mulheres se mataram por esta razão em 2006 - número um pouco abaixo dos 2.305 registrados no ano de 2005. Os dados do NCRB, divulgados pela agência indiana "Ians", mostram que as delegacias do país receberam uma denúncia por hora. Apesar de proibidos por lei, os dotes são uma prática habitual na Índia. Na época do casamento, as noivas são obrigadas a apresentar jóias, dinheiro e bens de consumo para a família do marido - algo que algumas vezes é abusivo, porque as exigências de pagamento duram meses. Devido às chantagens, extorsões e maus-tratos, o pagamento do dote foi proibido na Índia em 1961 através da chamada "Dowry Prohibition Act", aplicável quando uma mulher casada morre em estranhas circunstâncias. Nesse caso, o acusado, normalmente o marido, é considerado culpado até que se demonstre o contrário. Esta lei só ampara as mulheres até sete anos depois do dia de seu casamento - prazo durante o qual elas são mais vulneráveis a sofrer abusos.

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