REUTERS/Enrique De La Osa
REUTERS/Enrique De La Osa

Uma loja de aluguel de roupas para festas em Havana

Livan Puertas conseguiu abrir um negócio com seu companheiro após empréstimo de parentes que vivem nos EUA e Argentina

Cláudia Trevisan, enviada especial / Havana, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2016 | 05h00

HAVANA - Livan Puertas se formou em Economia, trabalhou como açogueiro e desde dezembro tem uma loja de aluguel de trajes e acessórios para casamentos e festas de 15 anos. Junto com seu companheiro e sócio Yuri Reyes, ele comprou o espaço em Havana há três anos, graças a empréstimo de US$ 25 mil feito por parentes de ambos que vivem nos Estados Unidos e na Argentina.

Batizada de Gaya, a loja se dedicou a princípio à venda de roupas para festas, mas a atividade contrariava o veto do governo à comercialização de produtos importados pelo setor privado. Os vestidos e ternos expostos na Gaya continuam a vir do exterior, mas agora eles são alugados. Com um preço que varia de 60 a 200 pesos conversíveis (R$ 258 a R$ 860), os clientes saem de lá com roupas, bijuterias, sapatos e bolsas. Quando devolvem os produtos em bom estado, recuperam o depósito de US$ 50.

A maior dificuldade de Puertas é o acesso a mercadorias. Quando podem, ele e Reyes viajam para os EUA e trazem nas malas tudo o que podem. O governo permite a importação dentro de certos limites. Cada um pode trazer apenas dois vestidos de noiva, 20 vestidos de noite e 10 pares de sapatos. "É um negócio que exige paciência", disse o empresário ao Estado, enquanto atendia clientes que buscavam roupas para um casamento.

Puertas e Reyes estão juntos há oito anos. Apesar de a união gay ainda não ser legalizada em Cuba, Puertas afirmou que não enfrenta preconceito por ser homossexual. "Nunca tive problemas. A minha geração nasceu em um momento diferente", observou. 

O dono da Gaya é um dos centenas de milhares de cubanos que deixaram o trabalho no Estado para se aventurar no setor privado. Antes de abrir sua loja, ele teve um açougue no qual os preços eram em pesos conversíveis, a moeda cotada a R$ 4,30 que há pouco tempo era exclusividade dos que vendiam a turistas.

Ted Henken, da Associação de Estudos da Economia de Cuba, estima que o setor privado emprega hoje um terço da mão-de-obra cubana. Há menos de três décadas, todos eram funcionários do Estado. Henken coloca em sua conta 600 mil autônomos que trabalham meio período sem ter licenças, 575 mil camponeses privados e membros de cooperativas independentes e 500 mil empregados de joint ventures com empresas estrangeiras.

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