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Uma mártir pela integração europeia

Ela se chamava Jo Cox, tinha 41 anos e era representante, no Parlamento britânico, do distrito de Batley and Spen, norte da Inglaterra; trabalhista, era fervorosa defensora da permanência do Reino Unido na União Europeia

Helio Gurovitz, O Estado de S. Paulo

19 Junho 2016 | 05h00

Ela se chamava Jo Cox, tinha 41 anos e era representante, no Parlamento britânico, do distrito de Batley and Spen, norte da Inglaterra. Trabalhista, era fervorosa defensora da permanência do Reino Unido na União Europeia (UE). O simpatizante neonazista que a matou na última quinta-feira em Birstall, perto de Leeds, gritou “Britain first!” antes de disparar. 

As pesquisas anteriores ao assassinato registravam uma mudança recente na preferência do eleitorado britânico, favorável à saída da UE. Depois, as casas de apostas registraram alta nas chances de permanência, estimadas em dois terços na última sexta-feira. Quer o Brexit vença ou seja derrotado no referendo da próxima quinta-feira, o nome de Jo Cox já entrou para a história como mártir da integração europeia.

Armas e terror

O controle rígido de armas teria impedido o massacre na boate gay de Orlando, como sugeriu o presidente Barack Obama? Por seu perfil, o terrorista Omar Mateen poderia ter sido impedido de comprar o fuzil e a pistola que usou. Mas não de imaginar outras formas de dar vazão a seu instinto homófobo e homicida.

 

Fronteiras e terror

Fechar fronteiras, a sugestão descabida do republicano Donald Trump, também teria sido inócuo. Mateen era de Nova York, como Trump. 

 

Mistério e terror

Ambas as medidas têm algo em comum: dão ao público a ilusão de que é possível o governo fazer algo para resolver o problema mais complexo do mundo contemporâneo. A verdade é que ninguém sabe o que motiva lobos solitários como Mateen, nem como detê-los.

 

Pelos cabelos de Trump

O bilionário Peter Thiel, criador do PayPal e acionista do Facebook, promove há anos uma cruzada contra o Gawker, site de fofocas que revelou sua homossexualidade em 2007. Gastou US$ 10 milhões num processo em que o Gawker perdeu US$ 140 milhões. Quer agora tirar do ar uma reportagem investigativa que desvenda o mistério do penteado de US$ 60 mil de Trump. Thiel ainda se diz defensor das liberdades. 

 

Gay e ídolo da direita

Outro gay pró-Trump é o provocador Milo Yiannopoulos, editor do arquiconservador Breitbart.com. Ele defende o discurso racista, xenófobo e antissemita da autoproclamada direita alternativa, ou “alt-right”. “Jovens dos anos 1960 chocaram os pais com promiscuidade, cabelos longos e rock’n’roll. As brigadas de memes da alt-right chocam com caricaturas ultrajantes”, escreveu. Milo só esquece que brincadeiras racistas alimentam a violência de supremacistas e neonazistas. 

 

Mais diversidade na academia

Uma resposta inteligente à onda politicamente correta foi dada pelo psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade de Nova York. As universidades, diz ele, protegem todo tipo de minoria: raça, gênero, religião e orientação sexual. Só esquecem uma: inclinação política. Professores de esquerda dominam a academia em proporções jamais vistas. Equilibrar essa tendência é o objetivo da Heterodox Academy, fundada por Haidt com um grupo de acadêmicos. 

  

PPK >FHC

Nosso príncipe dos sociólogos que se cuide. A América Latina tem agora um líder de credenciais intelectuais e cosmopolitas únicas. O novo presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, foi ministro, brilhou como aluno em Oxford e Princeton e como economista no Banco Mundial e Wall Street. Também é flautista e pianista diplomado pelo Royal College of Music – além de primo do cineasta suíço Jean Luc Godard e sobrinho do Nobel de Medicina francês Jacques Lucien Monod. 

 

A inteligência artificial de DiCaprio 

O ator Leonardo DiCaprio tem tateado como investidor de risco em áreas voltadas para a economia verde. Pois agora que enfim ganhou um Oscar, resolveu pôr dinheiro numa empresa de software, a Qloo. O objetivo é usar inteligência artificial para tentar prever o comportamento de consumidores, antever se um filme tem chance de fazer sucesso ou até de ganhar um Oscar.

Atravessado 

“Ainda não estou tomando nenhuma decisão final, mas, neste ponto, simplesmente não consigo”

John Kasich, governador de Ohio, sobre seu compromisso em apoiar o vencedor das prévias do Partido Republicano, Donald Trump


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