REUTERS/Kevin Lamarque
REUTERS/Kevin Lamarque

Uma mulher vai comandar unidade militar dos EUA na América do Sul pela primeira vez

Laura Richardson será a responsável pelo Comando Sul dos EUA, e também foi promovida para general quatro estrelas, tornando-se a segunda mulher a deter essa patente no país

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2021 | 12h00

WASHINGTON — A general Laura Richardson será a primeira mulher a liderar o Comando Sul dos Estados Unidos, que é a unidade responsável por operações militares na América do Sul, na América Central e no Caribe, após sua nomeação ter sido confirmada pelo Senado na quarta-feira.

O Senado também aprovou a promoção de Richardson, até agora tenente-general, para general quatro estrelas, o que a tornará a segunda mulher a ocupar a patente na História das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Baseado em Doral, perto de Miami, Richardson terá sob suas ordens mais de 1.200 militares e civis do Exército, Força Aérea, Marinha, Fuzileiros Navais, Guarda Costeira e outras agências federais.

O Comando Sul era liderado desde 2018 pelo almirante Craig Faller e nos últimos anos aumentou a sua presença militar nas costas da América Latina, para combater o tráfico de droga.

“[A] Região do Comando Sul é de importância estratégica para os interesses vitais dos Estados Unidos”, disse Richardson durante a audiência de sua nomeação para o cargo em 3 de agosto. “Estamos todos muito familiarizados com a devastação causada por esta pandemia mortal e tenho empatia por aqueles que sentiram seus impactos horríveis.”

Richardson também afirmou que “mais do que uma crise humanitária, essa devastação está mudando o cenário geopolítico. Os regimes autoritários e as organizações criminosas transnacionais habilitadas pela China e encorajadas pela Rússia estão tentando consolidar o poder na região, e as sociedades livres estão sendo diretamente desafiadas.”

Richardson, de 57 anos, comandava até então o Exército do Norte dos Estados Unidos, com base em San Antonio, no estado do Texas.

Nomeação inédita

A nomeação de Laura Richardson para o cargo foi anunciada em 8 de março pelo presidente americano, Joe Biden, durante uma cerimônia na Casa Branca no Dia Internacional da Mulher.

Após a confirmação do Senado, a tenente-general é a segunda mulher a liderar um comando de combate na história dos Estados Unidos, após a general, agora aposentada, Lori Robinson, que liderou o Comando Norte entre 2016 e 2018.

Joe Biden tinha divulgado também em 8 de março a indicação da general Jacqueline Van Ovost para liderar o Comando de Transporte, escolha que ainda não foi confirmada na Câmara Alta.

Segundo o jornal The New York Times, o Pentágono tinha aprovado já anteriormente as nomeações de Richardson e Van Ovost, mas decidiu esperar até depois das eleições presidenciais de novembro, conquistadas por Biden, por temer que o então presidente, Donald Trump, vetasse as nomeações, por serem mulheres.

A tenente-general está no serviço militar há mais de três décadas, após ter ingressado em 1986.

Com o sonho de ser piloto de helicóptero, Richardson começou a treinar com 15 anos, quando ainda não era permitido a mulheres operarem aeronaves de combate.

Como soldado, pilotou helicópteros Sikorsky UH-60 Black Hawk e serviu em duas missões de combate, no Iraque e no Afeganistão.

Foi ainda assessora militar do ex-vice presidente americano Al Gore (1993-2001). Richardson é casada há mais de 30 anos com outro tenente-general, de três estrelas, James Richardson, que conheceu na escola de aviação e com quem tem uma filha. / AFP, AP e REUTERS

 

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