Uma nova disputa espalha-se pelo país que parecia renovado

Cenário: Sudarsan Raghavan/

O Estado de S.Paulo

22 Maio 2012 | 03h07

The Washington Post

No norte do país, um conflito entre facções está consumindo recursos que poderiam ser destinados ao combate contra militantes ligado à Al-Qaeda no sul do Iêmen. Enquanto o governo de Barack Obama intensifica os esforços para enfraquecer o braço local da Al-Qaeda, o novo presidente do país, Abed Rabbo Mansour Hadi, com apoio americano, enfrenta uma luta que determinará seu futuro. A disputa por influência é travada entre grupos leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh e seus antigos opositores, principalmente na capital Sanaa e em Arhab.

Isso é um teste para a autoridade de Hadi, que foi vice-presidente no governo de Saleh, e a capacidade dele de levar o Iêmen a uma nova era após 33 anos de governo autoritário. Por enquanto, o maior desafio de Hadi é a reforma das divididas Forças Armadas. Apesar de alguns sucessos iniciais, o Exército continua dividido, mais leal a comandantes partidários de Saleh ou opositores dele do que ao próprio Hadi, que assumiu o governo em fevereiro.

O que ocorre em Arhab, 22 quilômetros ao sul da capital, é um desdobramento de um impasse militar que já dura um ano, abastecido pelas fissuras nas Forças Armadas, que paralisou o governo.

O conflito é claramente uma disputa pelo poder, mas seu impacto é sentido na luta contra a Al-Qaeda. A maior parte das forças mais experientes do país, entre elas soldados treinados pelos EUA, foi mobilizada em Sanaa e em Arhab, para preservar a influência política de seus líderes, e não no sul, para combater os militantes.

O braço iemenita da Al-Qaeda atacou repetidas vezes os EUA. Nas últimas semanas, o governo Obama intensificou a campanha de ataques com aviões não tripulados e enviou treinadores e conselheiros militares para auxiliar o Exército do Iêmen. Mas a guerra no terreno, apesar de ter ganhado intensidade nos últimos dias, foi incapaz de conter os radicais, que ganharam mais território e determinação no último ano.

Num dos lados do conflito em Arhab estão os membros de tribos ligados ao Al-Islah, o partido islâmico mais poderoso do país, e Ali Mohsen al-Ahmar, um general renegado. Do outro lado, estão os homens da Guarda Republicana, liderados pelo filho mais velho de Saleh, Ahmed Ali Saleh. Arhab tem importância estratégica, pois fica perto do aeroporto internacional e abriga as principais bases da Guarda Republicana.

Para os membros das tribos de Arhab, a Guarda Republicana é o símbolo mais visível da antiga ordem. Na principal base militar, comandantes da Guarda Republicana disseram estar protegendo o país do partido islâmico, que, segundo eles, apoiaria a Al-Qaeda. "Nada vai mudar a não ser que o Exército seja unificado, reformado e posto sob o controle da liderança política", disse o mercador Shebab Abu Ghanim, de 32 anos. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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