Uma nova era, com muitas mudanças, para Mianmar

EUA têm de entender, porém, que reformas serão lentas

É CHEFE DE GABINETE DA , PRESIDÊNCIA DE MIANMAR, ZAW, HTAY, THE WASHINGTON POST, É CHEFE DE GABINETE DA , PRESIDÊNCIA DE MIANMAR, ZAW, HTAY, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h06

Mianmar enfrentou numerosas revoltas sem que ocorresse uma mudança de regime, incluindo a revolução do Açafrão em 2007. A situação política birmanesa não pode ser comparada à dos países onde se deram os levantes no Oriente Médio, porque Mianmar superou revoltas parecidas com as que modificaram o mundo árabe.

O caminho trilhado por Mianmar está indissoluvelmente ligado às necessidades dos EUA. Washington e o Ocidente precisam compreender que o presidente Barack Obama é um firme reformador político e a proposta para que Mianmar assuma a presidência da Associação das Nações da Ásia-Pacífico (Asean), em 2014, aceleraria o processo de democratização do país. Esse é o projeto político de Obama para a comunidade internacional. Os EUA precisam reconhecer que a política birmanesa deverá se modificar paulatinamente. Toda mudança precisa ter como base a realidade, a estabilidade e um processo sistemático.

Mianmar precisa se preocupar com a reforma do antigo sistema construindo ao mesmo tempo a sociedade pela qual a comunidade internacional espera há muito tempo. É este o drama político do Sudeste Asiático. O presidente Thein Sein é a esperança de toda a nação, incluindo as minorias étnicas, e da classe média. A ativista opositora Aung San Suu Kyi disse a jornalistas locais que acredita que Thein Sein "esteja sendo totalmente autêntico em seu desejo de implementar um processo de democratização". Mas ele precisa do apoio da comunidade internacional para conduzir o país até uma nova era.

Em curto prazo, Mianmar necessita de ajuda e intercâmbio, de investimentos externos diretos e oportunidades de negócios. As sanções financeiras têm de ser levantadas e é imprescindível melhorar áreas como educação pública e saúde. Também serão imprescindíveis muitos esforços para desenvolver a economia como um todo. Se Mianmar não vencer essas batalhas, não poderá evoluir numa conquista para o seu povo e o mundo exterior.

O que o Ocidente deve levar em conta é que na atual situação geopolítica, considerando particularmente a ascensão da China, ele precisa de Mianmar. Nesta conjuntura crítica Washington e outros governos devem facilitar o relacionamento de Mianmar com o mundo exterior. O fato de Thein Sein ter cancelado a construção da barragem de Myitsone, financiada por Pequim, mostrou ao mundo a que ele veio. Se os EUA negligenciarem a oportunidade, estarão imprimindo um rumo diferente em relação à nova ordem regional na Indochina.

Quando Thein Sein chegou ao poder, em março, anunciou um programa de reformas sem precedentes, incluindo um governo transparente, boa governança, redução da pobreza, reconciliação nacional, desenvolvimento e industrialização. Seu empenho em conduzir o processo de reformas impressionou muitos dentro e fora do nosso país.

Quando o senador (republicano do Arizona) John McCain visitou Mianmar, em junho, nosso governo deixou claro que pretende abandonar a busca de poderio nuclear, embora o país tenha muitas necessidades nas quais a tecnologia nuclear poderia ser aplicada. Depois do acidente ocorrido na central nuclear de Fukushima, no Japão, o novo governo decidiu não seguir esse caminho.

Muitos observadores acreditam que Mianmar está se aproximando de um novo começo. As pessoas começaram a se dar conta de que podem dizer abertamente o que querem, que podem questionar o governo e fazer reivindicações aos legisladores. São os resultados concretos das eleições de 2010.

Alguns manifestaram dúvidas quanto à capacidade do governo e à confiança da população em sua liderança. Seria esse um passo para o levantamento das sanções internacionais? Muitas pessoas na região e em outros países pressionam Mianmar ou veem o país com reservas. Mas o país foi historicamente um elemento muito forte da região e deve poder conquistar a posição que lhe cabe. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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