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Uma nova teoria para explicar o populismo

Nenhuma das duas teorias usuais para explicar a ascensão do populismo trata das razões políticas. Em artigo na Government and Opposition, os economistas Jonathan Hopkin e Mark Blyth propõem uma terceira

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2018 | 05h00

O avanço do populismo, à esquerda e à direita, despertou duas explicações. A econômica vê nele uma reação dos “perdedores da globalização”, cujos empregos foram tomados por asiáticos. A cultural atribui as causas ao ressentimento contra o “politicamente correto”, uma reação identitária, por vezes racista, a imigrantes e grupos favorecidos por políticas compensatórias.

 Nenhuma das duas, contudo, trata das razões políticas. Em artigo na Government and Opposition, os economistas Jonathan Hopkin e Mark Blyth propõem uma terceira. Com base na Europa, argumentam que o populismo cresceu como reação à deficiência das democracias para atender demandas da sociedade. É um repúdio a partidos e políticos tradicionais – a “tudo isso daí”.

Desde os anos 1970, dizem, tais partidos funcionam como cartéis. De esquerda ou direita, transferem escolhas políticas a corpos técnicos, bancos centrais ou instituições multilaterais. “O propósito do partido-cartel é precisamente não governar, é permitir aos mercados governar a sociedade”, escrevem. Não governar só funcionou enquanto nada deu errado. A crise de 2008 expôs a deficiência. Movimentos populistas romperam então o cartel partidário.

Nos países endividados (Grécia, Espanha, Reino Unido e Portugal), a esquerda foi beneficiada. Nos credores (Alemanha ou países nórdicos), subiu a direita. França e Itália são híbridos. Em todos, a preocupação é idêntica. Nas palavras do cientista político Henry Farrell: “Não podemos assumir que forças no máximo indiferentes à democracia serão contidas por instituições democráticas. Tal otimismo pode ser não só ilusório, mas traiçoeiro”.

Previdência estadual quebrou nos Estados Unidos

Não é só a Previdência brasileira que está quebrada. Nos Estados Unidos, onde as aposentadorias estaduais também seguem um regime de benefício definido, uma análise do Fed estima o rombo em US$ 4 trilhões, num total de US$ 8,4 trilhões em benefícios a pagar. Só em Illinois, o buraco de Estados e municípios soma US$ 360 bilhões, o quádruplo das receitas com contribuições. No Alasca e no Kentucky, a situação também é crítica. 

Nevada terá primeira legislatura com mais mulheres

A legislatura que assumirá Câmara e Senado de Nevada será a primeira na história americana majoritariamente feminina. Serão 9 senadoras, entre 21, e 23 deputadas, entre 42, ou 51% de mulheres nas duas casas. No país, elas ocuparão 29% das cadeiras legislativas estaduais. Dez anos atrás eram 24%, segundo o Center for American Women and Politics.

Brexit abre oportunidade a craques brasileiros

Hoje europeus podem trabalhar no Reino Unido e levam vantagem para jogar na Premier League – são 41% dos jogadores, mesmo porcentual de britânicos e irlandeses. Com o Brexit, tal patamar cairia a 20%, revela uma simulação de Laurie Shaw, da Universidade Harvard. Entre não europeus, os brasileiros seriam beneficiados. 

Não só estrelas como Alisson, Firmino, Willian ou Gabriel Jesus, mas qualquer um que tiver disputado 30% dos jogos do Brasileirão. Quem vier de países abaixo da décima posição no ranking da Fifa (mesmo europeus) precisará ter jogado um mínimo de 45% a 75% do campeonato nacional.

 

China em revolta contra Dolce & Gabbana

A Dolce & Gabbana enfrenta uma revolta na China: cartazes de protesto, desfile cancelado e produtos retirados de prateleiras e sites. O motivo foi um anúncio preconceituoso na televisão, em que uma modelo chinesa bem-vestida tenta comer pizza e um canoli com palitinhos. “O anúncio inflamou o medo profundo de que, por mais ricos que fiquem, os chineses ainda são um povo inculto, e sua herança cultural é responsável”, escreveu na Foreign Policy a física chinesa Yangyang Cheng.

Colega desmascara pseudo-jornalista da ‘Spiegel’

A revista alemã Der Spiegel admitiu que um de seus mais premiados jornalistas era uma fraude. Claas Relotius, de 33 anos, acabara de ser escolhido Repórter do Ano na Alemanha pelo trabalho sobre um menino sírio. A Spiegel informou que ele inventou frases ou personagens nesta e em pelo menos outras 13 de 60 reportagens publicadas. O caso foi desmascarado pelo colega Juan Moreno. Confrontado, Relotius relutou, mas acabou confessando.

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