Uma oferta de ajuda com uma condição

Política praticada por Barack Obama em relação a Rússia e Afeganistão o aproxima dos republicanos; se recrudescer a posição em relação ao Irã, presidente pode ser reeleito

John Vinocur, The International Herald Tribune, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

O que acontece se Barack Obama mantém suas tropas no Afeganistão por um período prolongado, moderniza a infraestrutura nuclear americana como contrapeso à assinatura do Novo Start com a Rússia e endurece - de verdade, indo além das sanções - com o Irã? Consegue o apoio declarado de um grupo de republicanos temerosos de uma onda potencial de isolacionismo decorrente de "uma aliança profana" de parlamentares de direita e de esquerda no Congresso que desprezam o envolvimento do país em assuntos mundiais.

E Obama recebe um reconhecimento de um dos principais porta-vozes de segurança nacional do Partido Republicano, o senador da Carolina do Sul Lindsey Graham. O político diz que, se o presidente "fizer um bom serviço" em manter os EUA seguros, não ficará surpreso se ele se reeleger. Um segundo mandato de Obama, porém, em sua opinião, pressupõe ainda uma recuperação econômica e evitar um grande ataque terrorista.

Mas Graham - que segundo Bob Woodward no livro Obama"s Wars é considerado pelo presidente "o aliado republicano mais razoável" nessas questões - está dizendo atualmente que a ascensão republicana pode significar apoio à política externa da Obama, em troca de claras demonstrações de uma nova firmeza, particularmente sobre o Irã.

O contexto para o oferecimento é chocante: a recém-concluída semana asiática de dúvida e rejeição a Obama causadas por suas políticas comercial e monetária; e a real possibilidade de a Casa Branca encontrar um apoio mais frouxo dos democratas que dos republicanos para acordos comerciais bilaterais e uma missão afegã prolongada.

Fatores como esses poderiam fazer o presidente levar a sério a proposta de Graham? Numa conferência sobre segurança internacional, o senador John McCain, republicano do Arizona, elogiou a história de Obama, apesar de criticar sua política iraniana, e prometeu que os internacionalistas republicanos estariam "influenciando membros novos" apoiados pelo Tea Party.

Na mesa-redonda e numa conversa posterior, Graham explicou o que soou como um acordo com contrapartida. Sobre o Afeganistão, ele considera que os republicanos "se sentiriam confortáveis apoiando o presidente", porque a "probabilidade de reduzir o financiamento da guerra e uma retirada precipitada estão diminuindo".

Em relação à possibilidade do envolvimento americano no país ser oficialmente estendido a 2014, Graham disse que poderia imaginar a saída de uma brigada americana daquele país para cumprir a data de julho de 2011, estabelecida para o início da transmissão de poder para forças afegãs.

Um tom similar de cooperação foi ouvido num voto de ratificação do Senado ao Novo Start, que limita as capacidades nucleares russa e americana. Além disso, se Obama "decidir ser duro com o Irã, para além das sanções, vai haver muito apoio republicano à ideia de que não podemos deixar o Irã desenvolver armas nucleares". /TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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