Cortesia de Linda Maloney
Cortesia de Linda Maloney

Uma piloto com treinamento militar que salvou 148 pessoas após explosão de turbina

Capitã do voo da Southwest Airlines está entre as primeiras mulheres pilotos de caça da Marinha americana

O Estado de S.Paulo

18 Abril 2018 | 17h23

FILADÉLFIA - Cerca de 20 minutos depois da decolagem do voo 1380, da Southwest Airlines, na terça-feira, 17, a capitã Tammie Jo Shults pilotava o Boeing 737 rumo à altitude de cruzeiro, quando o motor esquerdo explodiu. Pedaços de metal rasgaram a lateral do avião e uma janela quebrou. A cabine despressurizou e uma mulher foi parcialmente sugada para fora. Os passageiros entraram pânico e os comissários de bordo entraram em ação.

No entanto, a voz da piloto estava calma e concentrada quando seu avião começou a cair com 149 pessoas a bordo. "Sudoeste 1380, estamos monomotores", disse Tammie, ex-piloto de caça da Marinha dos Estados Unidos. "Perdemos parte da aeronave, então vamos precisar desacelerar um pouco." Ela pediu que a equipe médica encontrasse a aeronave na pista. "Temos passageiros feridos", informou. A resposta veio: "Passageiros feridos, ok, e seu avião está pegando fogo fisicamente?", perguntou a voz masculina do tráfego aéreo. "Não, não está pegando fogo, mas uma parte está faltando", e pausou. "Eles disseram que há um buraco e alguém saiu."

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Naquele momento, enquanto estabilizava a aeronave, ela se viu numa situação que a maioria dos pilotos enfrenta apenas durante o treinamento: pousar um avião depois que um dos motores para. Os passageiros se prepararam para o impacto da aterrissagem enquanto mantinham as máscaras de oxigênio sobre o rosto. Alguns enviavam mensagens de texto de despedida para parentes. Os comissários realizavam a ressuscitação cardiopulmonar na passageira gravemente ferida, que depois morreu no hospital.

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Tammie realizou com sucesso o pouso de emergência no Aeroporto Internacional da Filadélfia, poupando a vida de 148 pessoas. "Ela tem nervos de aço", disse o passageiro Alfred Tumilson. Outra passageira, Diana McBride Self, a agradeceu numa postagem do Facebook por sua "orientação e bravura numa situação traumática" e revelou que a piloto conversou com cada um que estava a bordo. "Esta é a verdadeira heroína americana", disse.

A Southwest Airlines se recusou a confirmar o nome da piloto, mas os ocupantes do vôo divulgaram a informação nas redes sociais. Sua sogra, Virginia Shults, e seu marido também confirmaram a informação. Virginia disse que reconheceu a voz da nora assim que ouviu a transmissão do rádio de tráfego aéreo. "Era como se ela e eu estivéssemos aqui conversando. Ela é uma pessoa muito calma", afirmou. Mas não foi surpresa que o pouso de sucesso tenha sido feito por Tammie. Sua sogra e seus amigos a descrevem como pioneira no campo da aviação, uma mulher que quebrou barreiras. Segundo a Universidade MidAmerica Nazarene, onde Tammie se formou, ela está entre as primeiras mulheres piloto de caça da Marinha dos EUA. "Ela disse que não ia deixar ninguém dizer que ela não podia", contou Cindy Foster, que foi sua colega durante a faculdade. / Washington Post e New York Times

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