Uma rara chance de redefinir a política para Irã e palestinos

Cenário: Lourival Sant'Anna

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2012 | 03h07

As realidades são muito diferentes, mas é como se o PT e o PSDB se aliassem, e pudessem governar sem fazer concessões a partidos pequenos que cobram caro pelo seu apoio. O acordo entre o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o principal líder da oposição, Shaul Mofaz, foi impulsionado pelo risco iminente - para seus partidos, o Likud e o Kadima, que têm as maiores bancadas - de dissolução do governo e convocação de novas eleições. O premiê perdeu apoio de partidos ultraconservadores ao acatar decisão da Justiça de desmantelar dois assentamentos ilegais na Cisjordânia e também pela tendência de não renovar lei que isenta judeus ortodoxos do serviço militar obrigatório.

O tema é sensível para os israelenses. A imensa maioria das famílias seculares sente que seus filhos e filhas se sacrificam por 14 a 18 meses, enquanto os ortodoxos estão livres disso. A isenção do serviço militar é apenas um dos muitos benefícios de que eles usufruem. Os haredim, por exemplo, uma das correntes mais religiosas, são isentos também de trabalhar - vivem da ajuda do Estado, calculada de acordo com o número de filhos que têm - a título de dedicar todo seu tempo ao estudo da Torá. São privilégios que enfurecem muitos eleitores, mas se mantêm graças ao papel de fiel da balança que alguns partidos religiosos desempenham na Knesset.

A coalizão pode ter impacto sobre duas questões de repercussão mundial: as negociações - ou a falta de - com os palestinos e as tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O Kadima foi fundado em 2005 pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon, em razão da oposição que sofreu dentro do seu partido, Likud, à decisão de se retirar da Faixa de Gaza. O plano incluía a desocupação de parte da Cisjordânia. Sharon sofreu derrame em janeiro de 2006 e não saiu mais do coma.

Nascido em Teerã, Mofaz, ex-ministro da Defesa, tem advertido para os riscos de uma eventual ação militar israelense contra o Irã. Ao anunciar a coalizão, Netanyahu e Mofaz deram a entender que ela redefinirá a política israelense em relação aos palestinos e ao Irã. O premiê disse que os palestinos não deveriam perder essa oportunidade. Mas é Israel que acaba de abraçar uma oportunidade rara.

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