David Walter Banks/The New York Times
David Walter Banks/The New York Times

EUA estão a um passo de aprovar uma vacina. E agora?

Remessa de quase 3 milhões de doses deve ser enviada para o país 24 horas após a liberação; nesta sexta, agência reguladora falou que 'trabalhará rapidamente' para a aprovação

Eric Nagourney e Noah Weiland, The New York Times

11 de dezembro de 2020 | 11h00

Com um painel externo de especialistas em vacinas votando a favor da concessão de autorização de emergência para a vacina contra o coronavírus da Pfizer, as autoridades de saúde americanas estão um passo mais perto de uma vasta e complicada campanha de inoculação. O que acontece agora?

Como a votação do painel na quinta-feira foi apenas consultiva, a vacina agora precisa ter a autorização da agência americana que avalia medicamentos e alimentos, a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA). Normalmente, é um processo longo e trabalhoso. Mas é improvável que seja o caso desta vez. Exceto por empecilhos de última hora, a FDA deverá emitir uma autorização de emergência no sábado.

Nesta sexta, a agência disse que "trabalhará rapidamente" a autorização da vacina em caráter emergencial. A declaração, que veio horas depois que os conselheiros federais endossaram a vacina, acrescentou que a agência também notificou os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) e a Operação Warp Speed, "para que eles possam executar seus planos para distribuição oportuna da vacina."

Por isso, espera-se que as primeiras vacinações contra a covid-19 nos EUA provavelmente começarão na próxima semana. Os primeiros na fila são os profissionais de saúde e os residentes de asilos. A nova vacina não poderia chegar em melhor hora - ou, talvez, em pior.

Um dia antes de o painel endossá-la, os Estados Unidos estabeleceram outro recorde de mortes diárias de covid-19, quebrando a marca de 3 mil. E na noite de quinta-feira, as mortes relatadas estavam novamente perto de 3 mil, e a contagem de casos - pelo menos 223.570 novas infecções relatadas - tornou este o segundo pior dia desde que a pandemia atingiu o país.

A vacina da Pfizer, e outra que deverá se juntar a ela em um futuro próximo, se somaram às poucas ferramentas reais que as autoridades de saúde americanas têm para combater o vírus. “Com a alta eficácia e bom perfil de segurança demonstrado para nossa vacina, e a pandemia essencialmente fora de controle, a introdução da vacina é uma necessidade urgente”, disse Kathrin Jansen, chefe de pesquisa e desenvolvimento de vacinas da Pfizer, na quinta-feira.

Desafios econômicos

Mas a vacina é apenas uma peça do quebra-cabeça. Enormes desafios permanecem na frente econômica antes que o país possa se recompor. E a velocidade com que os legisladores americanos estão chegando a uma solução não é imediata.

Os esforços para chegar a um acordo de fim de ano sobre um pacote de estímulo vacilaram na quinta-feira quando os assessores do senador Mitch McConnell, o líder da maioria, sinalizaram que a maioria dos republicanos provavelmente não endossará um acordo bipartidário emergente.

Distribuição

A Pfizer e seu parceiro alemão BioNTech começaram a trabalhar na vacina há apenas 11 meses, quebrando todos os recordes de velocidade para o desenvolvimento de vacinas, que normalmente leva anos. Mas a distribuição inicial de imunizantes permitirá que apenas uma pequena fatia dos americanos receba uma.

Uma remessa de 2,9 milhões de doses deixará os depósitos em até 24 horas após a liberação pelo FDA e enviados para todo o país, de acordo com funcionários federais. Isso é apenas cerca de metade das doses preparadas. A outra metade será reservada para que os destinatários iniciais possam receber a segunda dose necessária cerca de três semanas depois.

Espera-se que a autorização americana da vacina Pfizer seja seguida em breve por uma para a versão da empresa de biotecnologia Moderna. Tudo será o início de um complexo plano de distribuição de meses, coordenado por autoridades de saúde federais e locais, bem como por grandes hospitais e redes de farmácias.

Se bem-sucedida, a campanha ajudará a devolver um semblante de normalidade a um país em luto e economicamente deprimido, talvez no segundo semestre do próximo ano.

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