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Gilles Lapouge
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Uma vida de luz e sombra

Ele deixou este mundo depois de passar os últimos oito anos da sua vida em coma. Em silêncio. Ouvia o que a Terra ainda lhe dizia? Há pouco tempo neurologistas israelenses e americanos o examinaram. E ficaram surpresos com a intensa atividade cerebral deste homem agonizante que já não pesava mais de 50 quilos. Mas estaria consciente do que se passava à sua volta? Último mistério antes de ele penetrar no grande segredo da morte.

GILLES LAPOUGE, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2014 | 02h06

Sua partida deixará um grande vazio. O poeta francês Victor Hugo já se referiu ao alvoroço que fazem os heróis quando morrem: "Oh, que ruído terrível fazem no crepúsculo, esses carvalhos que abatemos para a fogueira de Hércules".

Ariel Sharon foi um herói. E sua vida repleta de luzes e sombras. Foi um magnífico guerreiro e nos últimos momentos da sua vida consciente, em 2004 e 2005, um político imaginativo. Quantas incoerências em sua vida. Foi detestado e adulado, admirado e desprezado. Mas fica uma certeza: ele foi por vezes o destino doloroso e grandioso de Israel.

Foi um guerreiro autêntico e implacável, esse filho de um polonês e uma bielo-russa. Desde antes da independência de Israel, se manteve na linha de frente de todos os combates. No curso das guerras, sua bravura o leva ao ápice.

Ocupa postos elevados. Membro dos "falcões", assume a liderança do partido de direita Likud, em 1999, após a demissão de Binyamin Netanyahu. Será ele, por suas provocações em Jerusalém, (visita à Esplanada das Mesquitas e o Monte do Templo) um dos responsáveis pela Segunda Intifada?

Em 2001, torna-se primeiro ministro e é reeleito em março de 2003.No final de 2004, a grande reviravolta. Sharon determina a retirada unilateral das colônias israelenses da Faixa de Gaza.

Para seus amigos do Likud, é uma consternação. Vergonha. Em novembro de 2005, ele se demite do Likud e cria um novo partido de centro-direita, o Kadima.

Algumas semanas depois, em 18 de dezembro de 2005, sofre um derrame. Recupera-se rapidamente, mas em 4 de janeiro de 2006 sofre um novo derrame. E entra num coma profundo.

Israel continua sua vida tumultuada, heroica e complicada. A Faixa de Gaza está nas mãos dos palestinos do Hamas, e sabemos o que sucederá proximamente. Quanto ao Kadima, perdeu energia e projeção. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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