Uma votação calma e sem surpresas para todos os envolvidos

CENÁRIO: Carlos Valdez / AP

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2014 | 02h00

O presidente Evo Morales, candidato virtualmente reeleito, conclamou os eleitores a votarem em massa nas eleições de ontem. A votação terminou às 17 horas (horário de Brasília) e transcorreu normalmente, com as ruas tomadas pelas pessoas e famílias.

Evo governa a Bolívia desde 2006 praticamente sem sobressaltos, com pleno controle da Assembleia Legislativa e exercendo sua influência sobre o Poder Judiciário, afirmam os oponentes dele.

Os bispos católicos denunciaram um "viés" autoritário do presidente, muitos líderes da oposição viram-se encurralados pela Justiça e vários saíram do país depois de fazer denúncias de que eram perseguidos no país.

A economia da Bolívia tem se mantido sólida, graças especialmente às boas receitas propiciadas pelas matérias-primas que permitiram a Evo uma maior distribuição de renda e financiar grandes obras como a compra de um satélite e aviões, além da construção de aeroportos e estradas, realizações que foram a base da sua campanha.

Mas a oposição denunciou o desperdício de dinheiro e a corrupção no governo. Contudo os líderes opositores não se uniram numa frente comum nem ofereceram um plano alternativo, o que acabou favorecendo o atual presidente, segundo analistas.

A desaceleração econômica do Brasil, maior parceiro comercial do país, não afetou a economia boliviana, mas segundo especialistas, o seu bom momento está chegando ao fim.

O panorama econômico está "razoavelmente bom" para Evo em 2015, mas "o que ocorrerá a partir de 2016 é outra história", escreveu o ex-presidente Carlos Mesa na coluna de ontem na imprensa.

Para Mesa, o mais saudável "seria a recuperação dos valores democráticos" e Evo "permitir que a oposição tenha iguais oportunidades".

O encarregado de negócios dos Estados Unidos na Bolívia, Peter Brenhan, declarou ontem a jornalistas que Washington acompanha com "interesse" essas eleições. As relações entre os dois países continuam estremecidas desde 2008, quando Morales expulsou o embaixador americano por ingerência nos assuntos internos do país.

De acordo com os registros eleitorais, 5,9 milhões de cidadãos estavam aptos a votar, 200 mil no exterior, para eleger o presidente e seu vice e um novo Congresso de 36 senadores e 130 deputados. Pela primeira vez, votaram bolivianos que vivem em 33 países. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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