Meridith Kohut/The New York Times
Meridith Kohut/The New York Times

Unasul anuncia gestões para estabelecer diálogo entre governo e oposição na Venezuela

Tensão política tem aumentado em razão das tentativas dos opositores de ativar um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro

O Estado de S. Paulo

20 Maio 2016 | 09h41

CARACAS - Uma comissão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) iniciará gestões para conseguir um diálogo entre o governo e a oposição diante da grave crise que a Venezuela atravessa, anunciou na quinta-feira o ex-presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, que dirige a missão.

"Vou pedir à comunidade internacional que apoie este objetivo de um grande diálogo nacional e que possamos ter, em um prazo razoável, uma agenda", declarou Zapatero em uma coletiva de imprensa, após reunir-se com o presidente Nicolás Maduro e líderes da oposição. Os outros mediadores são o ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández e do Panamá Martín Torrijos.

"O presidente Maduro e os representantes da (coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática) MUD expressaram vontade e uma atitude, que devo agradecer, de respeito e confiança em nosso trabalho", afirmou Zapatero.

As gestões da Unasul surgem em um momento em que a tensão política aumenta na Venezuela em razão das tentativas da oposição, que controla o Parlamento, de ativar um referendo revogatório contra Maduro. O presidente decretou na sexta-feira estado de exceção, interpretado por analistas como uma manobra para evitar a consulta.

Além disso, o país lida com a crise econômica que se reflete em uma profunda escassez de alimentos e medicamentos, na inflação mais alta do mundo - 180,9% em 2015 e projetada pelo Fundo Monetário Internacional em 700% para 2016 - e altos índices de insegurança.

Zapatero previu que o caminho que se inicia para um "diálogo nacional" será "longo, duro e difícil". Mas "é o caminho de que precisa a Venezuela, o caminho do diálogo nacional que aborde os problemas sociais, econômicos, institucionais, de convivência pacífica, de liberdades", afirmou.

A comissão terá uma subcomitiva liderada por Fernández para tratar das questões econômicas, especialmente o desabastecimento, mas também para conseguir a reativação do crescimento econômico - o PIB recuou 5,7% em 2015 - e "cada um dos indicadores que expressam desequilíbrio".

"Haverá diálogo (...) entre governo, integrantes da MUD, especialistas econômicos e setor privado que podem nos fornecer os insumos para tentar levar a economia por caminhos de confiança e estabilização", disse Fernández.

Zapatero também pediu a "máxima colaboração de todos os representantes". A "tarefa é enorme, mas a determinação e a vontade da Unasul e dos que acompanham esta missão é firme, decidida. Não vamos descansar até que este processo comece e possa dar resultados", reforçou. /AFP

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