Hugo Ortuño / Efe
Hugo Ortuño / Efe

Unasul buscará diálogo entre EUA e Venezuela

Em reunião no Uruguai, chanceleres dizem que aproximação entre Washington e Caracas é melhor saída para fortalecer democracia

O Estado de S. Paulo

09 de fevereiro de 2015 | 17h22


MONTEVIDÉU - Um grupo de chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) prometeu ontem procurar canais que favoreçam o diálogo direto entre Estados Unidos e Venezuela, após as sanções americanas contra funcionários venezuelanos. A intenção foi anunciada em reunião em Montevidéu entre o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, e os chanceleres Mauro Vieira, do Brasil, Delcy Rodríguez, da Venezuela e Ricardo Patiño, do Equador.

Segundo o diplomata equatoriano, os chanceleres discutiram no encontro o impacto das medidas tomadas pelo Departamento de Estado americano nos últimos dias contra chavistas que fazem parte do governo do presidente Nicolás Maduro e os efeitos que elas podem ter sobre a paz na região.

"Vão ser aplicadas medidas que merecem uma reação imediata da Unasul e, por essa razão, esperamos que nossa ação favoreça a paz, a concórdia e o diálogo", disse Patiño. "Temos de evitar que países de fora da região possam afetar essa tranquilidade, paz e estabilidade de nossos Estados."

Samper disse ter pedido ao Uruguai - país que ocupa a presidência pró-tempore do bloco - que convoque uma reunião extraordinária para tratar mais a fundo do tema. “Estamos com vontade de contribuir para fortalecer o processo democrático e o diálogo na Venezuela”, disse o ex-presidente colombiano. "Estamos a disposição do governo venezuelano.”

O governo de Obama assinou uma lei aprovada pelo Congresso com sanções contra funcionários venezuelanos considerados responsáveis por violações de direitos humanos nesse país. Essas sanções incluem o congelamento de ativos e a proibição de emitir vistos a funcionários do governo venezuelano.

As sanções deterioraram ainda mais o relacionamento entre Washington e Caracas. Na semana passada, Maduro acusou o vice-presidente Joe Biden de liderar uma conspiração para tirá-lo do poder. Ontem, a chanceler venezuelana acusou os Estados Unidos de criar " ansiedade psicológica" na população venezuelana, com a intenção deteriorar a economia do país. 

A Venezuela vive uma grave crise econômica provocada pela escassez de dólares. Ela foi agravada nos últimos meses com a queda mundial no preço do petróleo, produto responsável por 96% da receita em moeda forte do país.

López. A mulher do opositor Leopoldo López, Lilian Tintori, se reuniu em Londres com representantes da ONG Anistia Internacional em Londres, na Grã-Bretanha.

Ela entregou ao secretário-geral da entidade, Salil Shetty, denúncias de abusos de direitos humanos cometidos na Venezuela. N a semana que vem, López completará um ano na prisão, acusado de incitar protestos contra Maduro. 

Ainda ontem, ao menos 13 testemunhas do caso que envolve o líder do partido Voluntad Popular deporiam à Justiça. / EFE e AFP

Tudo o que sabemos sobre:
VenezuelaEUAUnasul

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.