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Unasul falha em destravar diálogo na Venezuela

Oposição diz que governo precisa mostrar ações concretas para retomar negociações; para Maduro há ‘debate permanente’ no país

O Estado de S. Paulo,

20 Maio 2014 | 13h33

(Atualizada às 22h30) CARACAS - A reunião de dois dias de chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) com líderes do chavismo e da oposição, em Caracas, terminou na madrugada desta terça-feira, 20, em impasse. Sem um acordo que possibilite a retomada das negociações entre as facções políticas rivais no país, ambos os lados concordaram em avançar na busca de soluções para a crise política venezuelana.

As reuniões foram conduzidas pelos chanceleres do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo; da Colômbia, María Ángela Holguín; e do Equador, Ricardo Patiño, em nome da Unasul e pelo núncio apostólico Aldo Giordano. Por meio de nota, o Itamaraty afirmou que a missão da Unasul reitera sua disposição de seguir trabalhando com o governo venezuelano e os representantes da Mesa da Unidade Democrática (MUD), principal coalizão de oposição no país para continuar o diálogo.

"O governo e a MUD apresentaram ideias e deverão agora refletir sobre os próximos avanços desse diálogo. Os chanceleres e o núncio apostólico esperam que se determine a data da próxima reunião o mais brevemente possível", afirmou a nota da chancelaria brasileira. "Eles ressaltaram a vontade expressa pelo governo da Venezuela e pelos representantes da MUD de seguir trabalhando na busca de soluções que beneficiem todos os venezuelanos."

Depois do fim da reunião, o secretário executivo da MUD, Ramón Guillermo Aveledo disse que as "portas para o diálogo continuam abertas", mas depende do governo tomar as ações concretas para que ele seja retomado plenamente. "O que falamos na semana passada continua valendo hoje. Mantemos a possibilidade em aberto, mas esperamos que as promessas se tornem realidade", declarou. "Esperamos algo do diálogo? Sim, as portas continuam abertas."

Aveledo não adiantou uma data para a próxima visita dos chanceleres da Unasul, algo que, reiterou, ocorrerá somente na medida em que haja fatos concretos que "encorajem a oposição a dar esse passo".

Durante assembleia popular, o governador de Miranda e principal nome da oposição, Henrique Capriles, disse que apenas a "pressão social" será capaz de garantir as mudanças que a Venezuela precisa. "Ser revolucionário é não se deixar chantagear por nada. Ou o governo dá uma demonstração clara de que quer mudanças ou a qualquer momento o país se reinventa. Não podemos esquecer como ocorreu o ‘Caracazo’."

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse não acreditar que o diálogo com a oposição esteja congelado, como disseram seus adversários. O processo, pelo contrário, estaria mais quente do que nunca e a prova disso é a reunião que Maduro manteve na segunda-feira com prefeitos e governadores de todas as tendências.

"Há toda uma campanha dizendo ‘acabou o diálogo’, ‘o diálogo está congelado’, mas agora é que o diálogo está quente. Porque há um debate permanente de todos os temas", disse o presidente em uma reunião com governantes regionais de todo o país para tratar do tema da insegurança. "Neste país o que há é diálogo, há uma mesa de diálogo com um setor da oposição."

Para o ex-diretor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Central da Venezuela, Luis Salamanca, a suspensão do diálogo não terá grande repercussão. "O diálogo é um espaço que está perdido", disse. "O governo perde a ‘muleta’ que tinha conquistado durante a complexa situação pela qual o país passa."

Desde 12 de fevereiro, protestos contra o governo de Nicolás Maduro já deixaram 42 mortos, cerca de 800 feridos e centenas de presos. / AP e REUTERS

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