Unasul inicia mediação de conflito entre Caracas e Bogotá

Em sua primeira missão como presidente da entidade, Néstor Kirchner reúne-se com novo líder colombiano

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner reuniu-se ontem à noite com o presidente eleito colombiano, Juan Manuel Santos, para discutir o recente conflito diplomático entre a Colômbia e a Venezuela. Em seu primeiro desafio como secretário-geral da União das Nações Sul-americanas (Unasul), Kirchner viajará a Venezuela e Colômbia para tentar mediar o conflito bilateral.

Santos - que até agora evitou fazer declarações sobre a questão - reuniu-se por mais de uma hora com a presidente Cristina Kirchner, na Casa Rosada, antes de jantar com Kirchner na residência do embaixador da Colômbia em Buenos Aires.

"Dois países irmãos não podem se enfrentar", disse Kirchner horas antes do encontro. "Espero que essa crise possa ser encaminhada pela via correta para que ambos os povos e governos se reencontrem", acrescentou.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse esperar "sinais claros" de Santos para retomar o diálogo.

No dia 5, o ex-presidente argentino se reunirá com o líder venezuelano em Caracas. Depois, partirá para Bogotá, onde se encontrará com o atual presidente colombiano, Álvaro Uribe, que entregará o cargo no dia seguinte.

A crise entre a Colômbia e a Venezuela também promete ser o tema principal da reunião de presidentes do Mercosul, marcada para os dias 2 e 3 na cidade argentina de San Juan.

Trata-se do primeiro conflito que Kirchner terá de ajudar a resolver no cargo de secretário-geral da Unasul, que assumiu em maio, após ser eleito pelos 12 presidentes da América do Sul.

Na época, os que se opuseram à escolha do ex-presidente argentino dentro e fora de seu país alegaram que, em muitas ocasiões, ele já se havia mostrado um "temperamental" e não tinha suficiente tato diplomático para ocupar o cargo. O próprio Kirchner costumava reconhecer não ter paciência para cúpulas presidenciais e para "ir de coquetel em coquetel por aí".

Em agosto, a Unasul tentou ajudar a desarmar, em uma reunião de cúpula em Bariloche, as tensões entre Colômbia e Venezuela provocadas por um acordo militar que permite aos EUA usar sete bases militares na Colômbia. Na época, Chávez acusou Bogotá de permitir a preparação de uma "invasão" na Venezuela e Uribe respondeu acusando Caracas de desatar uma corrida armamentista na região.

Agora, a nova crise teve início porque o governo colombiano acusou a Venezuela de tolerar a presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território. Chávez anunciou o rompimento total das relações diplomáticas com o país vizinho na quinta-feira e alertou para o risco de uma guerra.

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