Unasul pede a Maduro eleições contra crise

Comissão de chanceleres defende votação 'no momento mais oportuno possível'

O Estado de S.Paulo

07 Março 2015 | 02h03

CARACAS - A comissão de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) defendeu ontem a realização das eleições parlamentares "no momento mais oportuno possível" como modo de solucionar as controvérsias entre o chavismo e a oposição na Venezuela. O grupo está em Caracas para intermediar a crise política provocada pela prisão do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, no mês passado.

A comitiva, composta pelos chanceleres do Brasil, Mauro Vieira, do Equador, Ricardo Patiño, e da Colômbia, María Angela Holguín, além do secretário executivo Ernesto Samper, se reuniu com o presidente Nicolás Maduro e encontraria representantes da oposição. Mas os antichavistas estão céticos quanto ao papel da Unasul, que no ano passado não conseguiu negociar um acordo político com o chavismo, depois dos protestos que deixaram 43 mortos na Venezuela.

"Para a Unasul é fundamental que se leve a cabo com sucesso e no momento mais oportuno possível as próximas eleições na Venezuela", disse Samper após se reunir com Maduro. "Acreditamos que esse seja o melhor cenário para que as diferenças políticas sejam confrontadas e solucionadas."

As eleições legislativas ainda não foram marcadas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), mas geralmente ocorrem no fim do ano. Logo após a prisão de Ledezma, Maduro deu sinais de que poderia antecipá-las e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) marcaram as datas para suas eleições primárias. Na quinta-feira, no entanto, o líder opositor Henrique Capriles disse que Maduro, com a popularidade em baixa, poderia cancelar as eleições.

Desestabilização. A comissão também demonstrou preocupação com as denúncias feitas por Maduro de que facções da oposição teriam tramado um golpe de Estado contra ele e convidou o chavismo e a MUD a dialogarem.

"Todos os países da Unasul, sem exceção, rechaçam e rechaçarão qualquer tentativa de desestabilização de ordem externa que se apresente na Venezuela", acrescentou Samper. "O bloco está comprometido com a defesa da continuidade democrática da Venezuela. As diferenças entre o governo e a oposição podem ser resolvidas de uma maneira pacífica e democrática."

Samper disse ter recebido com preocupação a informação apresentada pelo presidente venezuelano sobre as tentativas de desestabilizar a democracia do país. O secretário da Unasul pediu à oposição da Venezuela, com quem espera se reunir esta tarde, que exerça por meio do processo democrático seu legítimo direito à dissidência.

Samper ainda manifestou sua preocupação com "feitos judiciais" recentes no país - sobre os quais não deu detalhes. Ele deve se reunir amanhã com representantes do Judiciário, do Ministério Público e do Conselho Nacional Eleitoral.

À agência Associated Press antes da reunião com a Unasul, o secretário executivo da MUD, Jesús "Chuo" Torrealba, disse que a oposição estava cautelosa com o encontro em razão dos poucos avanços obtidos pela intermediação do bloco na crise do ano passado.

"Somos receptivos e damos as boas-vindas a qualquer um que mostre interesse em colaborar com a solução pacífica, constitucional e democrática para a crise venezuelana", afirmou. / AP, EFE e AFP

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