Unasul quer reunião com EUA para discutir bases na Colômbia

Venezuelano Hugo Chávez afirma durante cúpula que 'ventos de guerra sopram na região'.

Fabrícia Peixoto, BBC

10 de agosto de 2009 | 15h00

Preocupados com o possível acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, os presidentes da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) quebraram o protocolo e discutiram abertamente nesta segunda-feira, em Quito, o que alguns classificaram como a "ameaça" representada pela presença de efetivos militares americanos na região.

Após uma sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os líderes também concordaram com a realização de uma reunião emergencial com a presença do governo dos Estados Unidos para discutir a questão.

Em um discurso enfático, que não estava previsto na programação do encontro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que "ventos de guerra sopram na região" e que, se sofrer algum tipo de agressão, seu governo responderá de forma "militar e contundente".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um discurso apaziguador e sugeriu que o assunto seja discutido "abertamente", inclusive com os Estados Unidos. Segundo Lula, a questão tem que ser resolvida com "muita conversa".

Lula disse ainda que "é importante chamar o governo americano para a reunião emergencial" sobre a possível utilização de bases militares colombianas pelos Estados Unidos.

"Talvez fosse o caso de a Unasul convidar o governo americano para uma discussão profunda sobre a relação dele com a América do Sul", disse. Segundo Lula, esta discussão será "sofrida".

"As pessoas vão ter que ouvir duras verdades, caso contrário, a Unasul corre o risco de se transformar em um clube de amigos cercado de inimigos por todos os lados", afirmou o presidente.

Lula sugeriu ainda que o encontro seja realizado antes da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para o dia 23 de setembro em Nova York.

Protocolo

Durante a cúpula, só estavam previstos discursos da presidente chilena, Michelle Bachelet, e do presidente equatoriano, Rafael Correa.

A questão das bases militares, no entanto, acabou sendo levantada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, que quebrou o protocolo e iniciou a discussão.

A vice-chanceler da Colômbia, Clemencia Forero, concordou com ideia da reunião e disse que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, estará presente no encontro emergencial de chefes de Estado para esclarecer a questão.

Segundo Forero, no entanto, é também importante que os países estejam preparados para discutir outros temas de segurança na região, como, por exemplo, o tráfico ilegal de armas.

Os presidentes da Unasul também concordaram em realizar, no dia 24 de agosto, uma reunião de ministros de Relações Exteriores e de Defesa para discutir o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos. O encontro deve ser realizado em Buenos Aires. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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