Unasul reduziu crise venezuelana, diz Figueiredo

Em audiência na Comissão de Relações exteriores da Câmara, chanceler brasileiro destaca promoção do diálogo na Venezuela

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2014 | 07h00

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, atribuiu ontem a redução da violência nos protestos na Venezuela ao diálogo político iniciado com a mediação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). O ministro fez a declaração numa audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

"Conseguimos estabelecer consequências dessa ação conjunta em várias frentes, alcançando até mesmo condições para diminuir o nível de violência nas cidades venezuelanas", disse o chanceler, um dos representantes da Unasul no diálogo ao lado dos colegas da Colômbia, María Ángela Holguín, e do Equador, Ricardo Patiño.

Figueiredo insistiu que a ação do bloco na Venezuela demonstrou a "capacidade negociadora" da organização. Conseguir fazer com que representantes do governo venezuelano e da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) se reunissem e dessem início ao diálogo foi, segundo Figueiredo, uma das maiores "conquistas" do bloco, fundado em 2008.

Alguns deputados da oposição ao governo brasileiro, porém, não pouparam críticas à posição do Brasil em relação ao governo de Nicolás Maduro. Eles reivindicaram uma relação mais firme na "defesa da democracia".

Duarte Nogueira (PSDB-SP) foi um dos mais incisivos e afirmou que o governo de Dilma Rousseff "aliou-se" a "ditaduras", entre as quais, além da Venezuela, a do Irã.

Garcia. O governo brasileiro tem uma única posição em relação à situação na Venezuela, disse o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, negando a existência de divergências com o Ministério das Relações Exteriores.

Garcia manifestou a posição em carta ao diretor para as Américas da Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco, cuja cópia enviou ao Estado. Na terça-feira, o jornal publicou entrevista com Vivanco na qual ele criticou Garcia e elogiou a atuação do ministro Figueiredo. Segundo o diretor da HRW, o assessor da Presidência é simpático aos governos da Aliança Bolivariana (Alba), em especial o da Venezuela, o que afetaria sua credibilidade para atuar no conflito no qual o país está imerso.

"Não há nenhuma diferença, nem mesmo de matiz, entre a posição do ministro Figueiredo e a minha, ambas decorrentes das orientações do governo brasileiro", escreveu Garcia, ressaltando ser contra a existência de "diplomacias paralelas".

O assessor da presidência disse que se reuniu com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nos dias 25 e 27 - no último caso, no contexto da tentativa de diálogo entre governo e oposição promovida pela Unasul. Segundo ele, o dirigente venezuelano "expressou sua disposição de investigar todas as denúncias" de abusos das forças de segurança na repressão aos protestos que sacodem o país desde fevereiro e "punir os responsáveis por eventuais desmandos". Segundo o relatório, pelo menos dez pessoas foram torturadas. / REUTERS, COLABOROU CLÁUDIA TREVISAN

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