Unesco confirma a destruição de estátuas dos Budas

O diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, confirmou ontem que o movimento integrista islâmico Taleban destruiu completamente as duas gigantescas estátuas de Buda em Bamiyan, centro do Afeganistão. Matsuura disse que seu enviado especial, Pierre Lafrance, lhe informou que os Budas, de 38 e 53 metros, haviam sido destruídos apesar dos apelos mundiais. O Taleban, que governa com mão-de-ferro 95% do Afeganistão, começou a explodir as estátuas na semana passada. A rede CNN obteve com exclusividade fotos do momento da explosão de uma das estátuas, em mais uma comprovação do vandalismo. "Fiquei consternado ao ouvir de meu enviado que a destruição dos Budas de Bamiyan havia sido confirmada", disse Matsuura em um comunicado. "Com isso, o Taleban cometeu um crime contra a cultura. É abominável testemunhar a fria e calculada destruição de uma propriedade cultural que constituía uma herança do povo afegão e, sem dúvida, de toda a humanidade." O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, que no domingo tentou em vão conter a destruição dos Budas de Bamiyan e de todas as estátuas pré-islâmicas do Afeganistão, visitou ontem um campo de refugiados afegãos no Paquistão e anunciou que a ONU continuará enviando ajuda humanitária ao Afeganistão, apesar da destruição das estátuas. O país sofre uma de suas piores secas dos últimos 30 anos. Mais de 150 mil pessoas fugiram desde junho para o vizinho Paquistão, que fechou suas fronteiras para impedir a entrada de novos imigrantes, apesar dos apelos da ONU. Quando Annan tentou persuadir o Taleban a pôr fim à destruição das estátuas, o chanceler taleban, Wakil Ahmad Mutawakil, disse que era tarde demais, pois elas já estavam completamente demolidas. Países de todo o mundo, entres eles vários muçulmanos, manifestaram sua consternação pelo que qualificaram como "vandalismo contra o patrimônio histórico cultural". Segundo um funcionário humanitário, os Budas gigantes ficaram reduzidos a ruínas ao pé da montanha onde foram esculpidos, havia mais de 1.500 anos. O chanceler paquistanês, Abdul Sattar, qualificou de "trágico desastre" a destruição dos Budas e acusou o mundo de ter feito muito pouco e muito tarde para salvar os históricos tesouros. "Toda a comunidade mundial permaneceu como espectador passivo do desastre, do dano irreparável à herança cultural do mundo", disse Sattar. Segundo ele, a indignação internacional causada pela ordem emitida há duas semanas pelo líder taleban, mulá Mohammed Omar - que declarou as estátuas contrárias ao Islã -, não foi seguida por ações concretas. Sattar destacou que apenas poucos países, entre eles o Paquistão, enviaram representantes para pedir aos talebans que nãodestruíssem as estátuas. A ONU impôs sanções contra o Afeganistão em janeiro para pressionar o Taleban a entregar o suposto terrorista saudita Osama Bin Laden, acusado de vários atentados contra os EUA.

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