Unesco contra a reconstrução dos Budas do Afeganistão

A reconstrução de dois monumentos culturais e religiosos no Afeganistão está gerando um intenso debate diplomático entre algumas das principais agências da ONU, cientistas e os governos asiáticos e europeus. Durante o regime do Taleban, duas estátuas de Buda de mais de dois mil anos foram destruídas no vale de Bamiyan em 2001 por extremistas islâmicos, supostamente membros da rede terrorista Al-Qaeda. Agora, engenheiros e arqueólogos já contam com a tecnologia para reconstruir os monumentos, mas a Unesco ainda não tomou uma decisão se dará o sinal verde para que os trabalhos comecem. O principal argumento de alguns dos principais líderes da agência ligada à ONU é de que a destruição dos monumentos deve ser preservada para que o mundo se lembre dos crimes cometidos pelo Taleban. Para Armin Grun, da Escola Técnica de Zurique e responsável por recriar as estátuas em programas de computador, o argumento da Unesco não faz sentido e a recuperação dos monumentos poderia gerar turismo e renda para uma das regiões mais pobres do Afeganistão. "Na Alemanha, muitas cidades foram reconstruídas depois da Segunda Guerra Mundial e nem por isso esquecemos das barbaridades ocorridas durante o conflito", afirma. A indefinição por parte da Unesco já está também gerando críticas por parte de governos, principalmente dos países com população budista. "Sabemos que existem alguns grupos que querem ajudar. Investidores japoneses, por exemplo, querem colocar dinheiro na região e criar um pólo turístico se as estátuas forem reconstruídas. Mas para que esse dinheiro seja dado, a Unesco deve aprovar o projeto", afirmou o cientista, que lembra que, mesmo sem o sinal verde da agência da ONU, o governo de Tóquio já disponibilizou US$ 800 mil para trabalhos iniciais. Segundo Grun, o governo afegão também apoia a idéia da reconstrução. "Falta apenas uma decisão política. A técnica para trabalhar já possuímos", aponta. Uma avaliação inicial revela que o processo poderia custar até US$ 30 milhões, recursos que deveriam vir de doadores privados, na avaliação do cientista-chefe. "O dinheiro não deveria vir do governo afegão. Cabul deve investir seus recursos em projetos que possam atender às necessidades básicas da população", completa.

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