Unesco é criticada por prêmio patrocinado pela Guiné Equatorial

Grupos de direitos humanos disseram na segunda-feira que a decisão da Unesco de conceder um prêmio de ciência patrocinado pelo presidente da Guiné Equatorial era "vergonhosa e absolutamente irresponsável".

VICKY BUFFERY, Reuters

17 de julho de 2012 | 14h07

O órgão de cultura e ciência das Nações Unidas deve entregar o prêmio nesta terça-feira, desafiando os pedidos de ativistas para não fazê-lo por causa de alegações de corrupção contra o presidente Teodoro Obiang e membros de sua família.

"É vergonhoso e absolutamente irresponsável para a Unesco dar este prêmio, dado o rosário de graves problemas jurídicos e éticos que o rodeiam", disse um comunicado assinado por sete grupos, incluindo o Human Rights Watch.

"Além de se deixar ser usado para polir a imagem manchada de Obiang, a Unesco também corre o risco de arruinar a sua própria credibilidade."

Obiang tem governado a ex-colônia espanhola rica em petróleo por mais de três décadas, fazendo dele o líder africano há mais tempo no poder após o falecimento de Muammar Gaddafi, da Líbia. Grupos de direitos humanos há muito tempo acusam seu governo de corrupção.

Autoridades na França, Espanha e Estados Unidos estão investigando Obiang e os membros da família por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro em grande escala, e as perguntas pairam sobre a origem dos 3 milhões de dólares em prêmios.

O conselho diretor da Unesco aprovou por 33 votos a 18, com seis abstenções, a entrega do prêmio originalmente chamado de "Prêmio Unesco-Obiang" e renomeado para "Prêmio Internacional Unesco-Guiné Equatroial para Pesquisa em Ciências da Vida".

O governo de Obiang diz que a intenção do prêmio é contribuir com os esforços da pesquisa científica tendo como alvo doenças como Aids, tuberculose e malária.

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