EFE/Abir Sultan
EFE/Abir Sultan

Unesco ignora queixa e adota texto sobre Muro das Lamentações

Resolução proposta por países árabes renega vínculo religioso entre sítio histórico e judeus; Brasil votou a favor

O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2016 | 19h34

PARIS - Apesar da indignação israelense, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) aprovou formalmente nesta terça-feira, 18, a resolução sobre a Cidade Velha de Jerusalém que, segundo Israel, nega o vínculo milenar entre os judeus e o local. O documento causou polêmica em Israel por usar nomes árabes para se referir a locais sagrados, incluindo o Muro das Lamentações. 

O texto foi apresentado por países árabes em nome da “proteção do patrimônio cultural palestino”. A resolução foi aprovada por 24 dos 58 membros do Conselho Executivo da organização, entre eles o Brasil, na quinta-feira, em uma apreciação inicial. Seis países votaram contra – Alemanha, Estônia, EUA, Lituânia, Holanda e Grã-Bretanha – e 28 se abstiveram. Hoje, ela foi adotada formalmente pela entidade. O texto foi proposto por Argélia, Egito, Líbano, Marrocos, Omã, Catar e Sudão. 

A adoção provocou irritação em Israel e seu governo anunciou imediatamente a suspensão de sua cooperação com a Unesco em sinal de protesto. Hoje, nenhum dos Estados-membros do Conselho, reunidos em assembleia plenária, pediu a reabertura do debate e, dessa forma, o texto foi confirmado sem a necessidade de uma nova votação. 

A resolução, intitulada Palestina Ocupada, critica Israel por restringir o acesso de muçulmanos a um local sagrado na Cidade Velha de Jerusalém e se refere à área somente por seu nome muçulmano. Na interpretação das autoridades e da imprensa israelense, o texto nega a importância do local para a religião judaica ao se referir ao muro e localidades adjacentes, como a Mesquita de Al-Aqsa, pela nomenclatura pela qual é conhecida no mundo muçulmano.

O texto reafirma a importância da Cidade Velha para as três religiões monoteístas – o judaísmo, o cristianismo e o islamismo –, mas teria tomado partido “anti-Israel” ao ignorar os laços dos judeus com o sítio. 

A Cidade Velha está dentro dos limites de Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade ocupada desde 1967 por Israel, e anexada posteriormente. 

A ONU considera ilegal esta anexação de Jerusalém Oriental, que abriga a Cidade Velha e suas muralhas, local inscrito na lista de patrimônio mundial da Unesco. Na Cidade Velha está localizada a Esplanada das Mesquitas, terceiro lugar mais sagrado do Islã, mas também o local mais sagrado para os judeus, que o chamam de Monte do Templo, e onde fica o Muro das Lamentações. Em virtude de uma herança histórica, a Jordânia administra a Esplanada, mas Israel controla seus acessos. 

Brasil. O Brasil votou favoravelmente à resolução, mesmo considerando o texto “inadequado”, por estimar que ele trouxe avanços em relação ao que havia sido aprovado na última sessão do Conselho Executivo, em abril. “O reconhecimento dos laços históricos entre cristãos, judeus e muçulmanos com a Cidade Velha de Jerusalém, Belém e Hebron é um primeiro passo para uma abordagem aberta e construtiva sobre este tema”, diz o voto do governo brasileiro, ao qual o Estado teve acesso. A inclusão desse tema no artigo 3 da resolução foi considerada importante e vista como uma resposta às preocupações expressadas pelo governo brasileiro em junho. / AFP 

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