Unesco pede fim de obras próximas a mesquita de Jerusalém

Um relatório elaborado por uma equipe de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) pede que Israel suspenda as escavações realizadas perto do santuário islâmico mais sagrado de Jerusalém ou que aceite a supervisão de especialistas estrangeiros caso queira continuar com as obras, disseram autoridades na quarta-feira. As escavações conduzidas pelos israelenses, que acontecem a 50 metros do complexo conhecido entre os muçulmanos como Al-Aqsa e entre os judeus como Monte do Templo, detonou protestos em todo o mundo islâmico. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com sede em Paris, enviou especialistas para o local no mês passado e deve divulgar seu relatório, oficialmente, nesta quarta-feira, 14. Mas parte do documento já vazou. "Apesar de reconhecer que o trabalho arqueológico está sendo realizado segundo os padrões tradicionais, a missão mostrou-se preocupada com a ausência de um plano de trabalho que fixe os limites da atividade, o que abre a possibilidade de acontecerem escavações excessivas e desnecessárias", diz o documento, segundo autoridades que o leram. Novo projeto O relatório da Unesco pede que Israel suspenda seu projeto e elabore um novo plano de trabalho em meio a consultas com autoridades jordanianas e com o Waqf, um órgão encarregado de supervisionar os santuários islâmicos de Jerusalém. Arqueólogos israelenses deram início às escavações em 7 de fevereiro com a missão de salvar artefatos antes da construção de uma passarela dando acesso ao complexo, onde ficavam antes dois templos judaicos descritos na Bíblia. "O governo de Israel deveria ser instado a suspender imediatamente as escavações arqueológicas já que as escavações realizadas até agora foram consideradas suficientes para avaliar as condições estruturais da passarela", afirma o relatório da Unesco, segundo autoridades. Se as obras continuarem, conclui o órgão da ONU, elas precisariam ser realizadas com a supervisão de um organismo internacional. Mark Regev, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, disse que o relatório da Unesco "mostra claramente que o trabalho de restauração realizado por Israel é totalmente benigno".

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