União Africana aprova votação no Zimbábue

O relatório da União Africana sobre o processo eleitoral no Zimbábue apresentou tanto aspectos negativos quanto positivos. O documento do bloco afirmou que a votação foi "livre e justa", contudo ressaltou também várias advertências.

AE, Agência Estado

02 de agosto de 2013 | 08h32

"Sim, a eleição foi livre", disse Olusegun Obasanjo, ex-presidente da Nigéria e chefe da missão de monitoramento eleitoral da União Africana. "Houve incidentes, mas nada que pudesse colocar as eleições em perigo."

Obasanjo afirmou, entretanto, que a sua equipe de monitoramento de 69 membros registrou um grande número de eleitores que não puderam votar, porque não estavam nos cadernos eleitorais. O ex-presidente nigeriano também declarou que, caso os dados mostrassem que, pelo menos, 25% dos eleitores registrados não tivessem sido autorizados a votar por causa deste problema, isso colocaria em questão a legitimidade dos resultados.

Em um relatório lido por Aisha Abdullahi, segunda na hierarquia de poder da missão, a UA também citou uma série de outras questões, principalmente em torno de registros de eleitores, assistência a eleitores na hora de votar e falta de transparência em conseguir acesso à lista de recenseamento eleitoral antes do dia da eleição.

O resultado da eleição de quarta-feira deve decidir se o presidente Robert Mugabe, de 89 anos, continuará seu governo de 33 anos ou se Morgan Tsvangirai, um ex-líder sindical de 61 anos de idade, tomará o controle. Mugabe está no poder desde que foi eleito pela primeira vez na independência do Zimbábue.

Resultados preliminares apresentados pela Comissão Eleitoral do Zimbábue mostram que o partido de Mugabe conseguiu 52 dos 62 assentos anunciados até agora na Assembleia da República. A Casa possui ao todo 210 cadeiras. Vários representantes do Movimento para a Mudança Democrática - o partido de Tsvangirai - perderam seus assentos.

"Nós não aceitamos os resultados desta eleição... os resultados foram cheios de fraude", disse Douglas Mwonzora, um dos apoiadores de Tsvangirai que perdeu seu posto no parlamento. Ele disse também que viu forças de segurança à paisana ajudando eleitores a votar e influenciando na decisão sobre os candidatos.

Na quinta-feira, Tsvangirai atacou a eleição, chamando-a de "fraude". Mwonzora afirmou que o partido deve realizar um encontro nesta sexta-feira para determinar como eles vão reagir ao resultado. Porta-vozes do partido Zanu-PF, do governo, negaram as alegações de manipulação e fraude eleitoral e declararam que as eleições foram realizadas de maneira livre.

Obasanjo disse que não poderia comentar sobre as alegações de Tsvangirai e afirmou que a organização vai continuar a acompanhar o resultado da votação. Ele elogiou o ambiente, "em geral", pacífico e livre de intimidação, que antecedeu a votação de quarta-feira.

Após a eleição de 2008, cerca de 200 pessoas morreram por causa de uma onda de violência política. "Em comparação a 2008, Zimbábue fez uma transição", disse Abdullahi. Fonte: Dow Jones Newswires.

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