Feisal Omar/Reuters
Feisal Omar/Reuters

União Africana doará US$ 380 milhões para o combate à fome

Recursos serão gastos até 2013; Argélia, Egito e Angola são os maiores doadores do grupo

Agência Estado

25 de agosto de 2011 | 16h42

 

ADIS ABEBA - Governantes africanos prometeram nesta quinta-feira doar quase US$ 380 milhões para ajudar famílias atingidas pela fome na região do Chifre da África, durante uma conferência de doadores na capital da Etiópia. O Banco de Desenvolvimento Africano anunciou em comunicado que doará US$ 300 milhões para o desenvolvimento a longo prazo no Chifre da África, a serem gastos até 2013. Alguns países africanos prometeram doar outros US$ 28 milhões em alimentos, enquanto outros prometeram doar US$ 51 milhões em dinheiro.

 

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A conferência aconteceu na sede da União Africana (UA). O doador mais generoso foi a Argélia, que prometeu US$ 10 milhões, enquanto o Egito prometeu doar US$ 6 milhões. O governo angolano disse que doará US$ 5 milhões.

 

"Isso é o que prometemos hoje. É um dinheiro novo e exlusivamente africano", disse o dirigente da UA, Jean Ping. Os líderes africanos têm sido criticados por não fazerem o suficiente para combater a fome que no momento atinge o Chifre da África, com epicentro na Somália. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 12,4 milhões de pessoas passam fome e dezenas de milhares já morreram. Grupos de auxílio humanitário diziam mais cedo nesta quinta-feira que queriam pelo menos US$ 50 milhões em doações na conferência.

 

O Chifre da África tem sofrido uma seca devastadora, a qual foi agravada pela guerra civil contínua na Somália, maus governos e aumentos nos preços dos alimentos durante meses.

 

A ONU declarou que cinco regiões da Somália sofrem com a fome, mas a fome se espalhou para regiões da Etiópia, Quênia e Djibuti. Não existem informações sobre a Eritreia, mas acredita-se que a fome tenha chegado também a esse país da África Oriental.

 

Contribuições mínimas e uma resposta lenta provocaram críticas da comunidade de doadores. "É triste, mas as pessoas morrem antes que os nosso líderes políticos tomem medidas", disse Irungu Houghton, diretor da organização Oxfam Pan África. O dirigente da UA, Jean Ping, disse que a resposta africana chega "muito tarde e é muito pequena".

 

"Eu acredito que atualmente estamos enfrentando a pior crise humanitária do mundo na região do Chifre da África", disse Antonio Guterres, alto comissário para refugiados da ONU, em Londres.

 

Guterres afirma que embora a sua agência e outras estejam rapidamente aumentando a quantidade de alimentos enviada em emergência, a escala da crise é muito grande. "É importante ser capaz de apoiar essas pessoas nos seus vilarejos, ao invés de forçá-las a fugas dramáticas" para países vizinhos, disse Guterres. As informações são da Associated Press.

 

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