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União Africana envia missão para avaliar situação da Somália

A União Africana (UA) e diplomatas de países ocidentais, reunidos em Adis-Abeba para discutir o conflito na Somália, decidiram enviar uma missão de avaliação ao país vizinho se antecipando à provável mobilização de uma força de paz internacional.A idéia de uma força estrangeira de interposição foi rejeitada taxativamente pela União de Tribunais Islâmicos, grupo fundamentalista muçulmano que atualmente controla Mogadiscio, a capital da Somália, e toda a região sul do país, inclusive a região fronteiriça com a vizinha Etiópia.Durante o último fim de semana, a União de Tribunais Islâmicos acusou a Etiópia de ter enviado 300 soldados para território somali, o que foi desmentido pelas autoridades de Adis-Abeba, que admitiram, no entanto, que suas tropas estão na zona de fronteira comum, caso as milícias somalis decidam atravessá-la.O envio de uma missão de estudo foi aprovado numa reunião na capital etíope com a UA, a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, em inglês) - grupo regional de sete países que lidera a iniciativa internacional de paz na Somália - e delegações da União Européia, Reino Unido, Suécia e Itália.A reunião em Adis-Abeba aconteceu após o encontro internacional convocado na semana passada pelos Estados Unidos, em Nova York, para discutir o conflito somali depois que as milícias islâmicas derrotaram as forças dos líderes tradicionais somalis, conhecidos como "senhores da guerra", que teriam o apoio de Washington.CaosDesde o início em fevereiro da luta pelo controle da Somália - que vive em meio ao caos desde que o ditador Mohammed Siad Barre foi deposto, em 1991 -, mais de 360 pessoas morreram, na maioria mulheres e crianças, e outras 1.500 ficaram feridas.O diálogo mantido entre o grupo islâmico e o Governo somali de transição, que funciona em Baidoa, 90 quilômetros ao norte da capital, foi interrompido depois de o Parlamento - situado na mesma cidade - ter votado a favor da admissão de tropas estrangeiras para garantir a paz no país.A Administração interina somali afirmou várias vezes que é favorável à chegada de uma missão internacional de paz, por não poder operar de forma eficaz sem Forças Armadas que garantam a segurança de seus membros, caso o governo seja transferido para Mogadiscio.Em janeiro passado, a aliança criada pelos "senhores da guerra" com o suposto apoio dos EUA declarou guerra aos tribunais islâmicos, após acusá-los de acolher e proteger na Somália membros da organização terrorista Al-Qaeda, acusadas por Washington pelos atentados cometidos em 1998 com carros-bomba contra embaixadas americanas em Nairóbi e em Dar-es-Salaam.As milícias fundamentalistas impuseram a Sharia (lei islâmica) nos territórios que controlam, e uma de suas primeiras medidas foi proibir a população de ver as partidas da Copa do Mundo pela televisão, por considerarem uma "influência ocidental perniciosa".

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