Sergey Ponomarev/NYT
Sergey Ponomarev/NYT

União de rivais em Israel pode dar dados do Mossad a árabes

Caso seja formado um governo de unidade entre judeus, coalizão árabe terá prerrogativas se liderar da oposição

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 05h00

TEL-AVIV - Os partidos árabes de Israel serão o maior bloco não governista do Parlamento – e podem até liderar a oposição – se um governo de união nacional surgir das eleições de terça-feira.

Um aumento na participação de eleitores deu à Lista Conjunta dominada pelos árabes 13 dos 120 assentos do Knesset. Isso tornou o grupo o terceiro maior, atrás do partido de direita Likud, do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, com 31 assentos, e da legenda de centro Azul e Branco, de Benny Gantz, com 33.

Para Entender

Relembre os principais fatos dos governos Netanyahu

Na disputa pelo quarto mandato consecutivo, primeiro-ministro israelense pode ter o governo mais longo da história

O cenário de aliança dos grupos de Netanyahu e Gantz tornaria a Lista Conjunta o maior grupo de oposição no Parlamento. A possibilidade é real, embora Gantz tenha rejeitado o convite inicial do rival, que se recusa a deixar o posto de premiê em uma união de forças.

Nenhum partido que represente os árabes-israelenses, formadores de 21% da população, fez parte de um governo no país. Se o chefe da Lista Conjunta, Ayman Odeh, de 44 anos, se tornar líder da oposição, ele receberá informações mensais da agência de inteligência Mossad e se encontrará com chefes de Estado visitantes, entre outras prerrogativas.

A união dos rivais judeus proporcionaria ainda aos árabes um canal para expressar queixas de discriminação e daria uma plataforma maior aos partidos árabes que divergem daqueles da maioria judaica do país em muitos debates políticos.

“Seria uma posição interessante, nunca antes ocupada por alguém da população árabe. Teria muita influência”, disse Odeh do lado de sua casa em Haifa, cidade árabe e judia no norte de Israel.

Embora a Lista Conjunta seja o maior grupo isolado, outros partidos da oposição juntos terão assentos suficientes para bloquear sua nomeação por meio de uma maioria absoluta, dizem analistas.

“Não há como os outros partidos concordarem em ter Ayman Odeh como chefe da oposição, e concederem reconhecimento e legitimidade à nossa comunidade”, disse Aida Touma-Sliman, uma parlamentar árabe da facção Hadash, de Odeh.

 

Os parlamentares árabes frequentemente pedem o fim da ocupação de Israel na Cisjordânia e em Gaza, um Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital e o desmantelamento dos assentamentos de Israel na Cisjordânia.

O Mossawa Center, ONG que defende direitos dessa comunidade, sustenta que o orçamento com frequência favorece os judeus.

 Cerca de 47% dos cidadãos árabes vivem na pobreza, ante uma média nacional de 18%. O partido de Netanyahu, o Likud, garante que o investimento de US$ 4 bilhões na última legislatura em setores árabes é o maior da história./ REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.