União e esforços urgentes no Haiti

Com a chegada da temporada dos furacões no Caribe, ONGs e doadores devem agir para socorrer desabrigados

Jean-Max Bellerive, Bill Clinton, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

THE NEW YORK TIMES

Seis meses passaram-se desde que o terremoto abalou a costa do Haiti. Mas, para os habitantes da ilha, hoje é apenas mais um dia no longo processo de reconstrução e reformulação de seu futuro nesta temporada de furacões que ameaça acabar com o progresso já conseguido.

Presidindo em conjunto a Comissão Provisória para a Reconstrução do Haiti, temos plena consciência de que a magnitude e a urgência das necessidades do país continuam enormes. Milhões de pessoas ainda precisam de abrigo, de acesso aos serviços básicos como educação, água e limpeza urbana, eletricidade e assistência médica, e dos instrumentos que os ajudem a sair da pobreza.

Depois do terremoto, o presidente do Haiti, René Préval, trabalhou com a comunidade internacional para criar a comissão de reconstrução a fim de acelerar as iniciativas neste sentido. O primeiro-ministro Jean-Max Bellerive e eu recebemos o mandato de coordenar a ajuda dos governos doadores e de organizações não-governamentais, bem como do setor privado, para garantir que os projetos de reconstrução atendam as prioridades do plano de desenvolvimento do Haiti. Nossa missão prevê também que todo o trabalho se realize com a maior transparência e responsabilidade que os líderes haitianos se comprometeram a manter, e os fornecedores de ajuda têm todo o direito de esperar.

O terremoto haitiano devastou a infraestrutura do governo do país, eliminou 17% de sua força de trabalho e destruiu todos os edifícios dos ministérios. O Haiti precisa fazer frente à destruição, e às questões prementes que tinha de tratar antes do terremoto.

Mas podemos dizer que o processo de reconstrução foi tão imediato e abrangente quanto muitos esperavam? Não, não com tantos haitianos desabrigados, famintos e desempregados. Sem um organograma confiável para a aplicação das verbas, a comissão não consegue planejar, financiar projetos ou atender rapidamente às necessidades imediatas.

O governo do Haiti está fazendo tudo o que os doadores internacionais pedem a fim de inspirar sua confiança. Não podemos dar as costas para o governo e o povo do Haiti na hora de preencher os cheques.

Não temos tempo a perder: a temporada de furacões já começou. Tendo isso em mente, em 17 de junho nosso conselho aprovou projetos no valor de US$ 31 milhões que permitirão cobrir o déficit do governo do Haiti e fornecer abrigo contra os furacões.

Mas, para que o esforço total dê certo, necessitamos da participação de todas pessoas envolvidas: as organizações não-governamentais precisam apresentar seus projetos à comissão a fim de obter sua aprovação e os doadores deverão cumprir suas promessas.

Pedimos aos governos, aos doadores e às empresas que ainda não se comprometeram a investir na economia do Haiti ou com os esforços de ajuda e reconstrução, que o façam o mais rapidamente possível. Há enormes oportunidades de investimento com dividendos no prazo mais longo - na agricultura, construção, turismo, manufatura e energia limpa, como a solar. Independentemente de como as pessoas escolham ajudar, o importante é que trabalhemos com toda urgência e numa parceria recíproca para servir ao povo haitiano. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É PREMIÊ DO HAITI

É EX-PRESIDENTE DOS EUA

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