EFE/ Olivier Hoslet
EFE/ Olivier Hoslet

União Europeia aceita adiar Brexit, mas impõe condições

Exigência é que Parlamento britânico aprove acordo de saída na semana que vem

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 20h56

BRUXELAS - A União Europeia concordou nesta quinta-feira, 21, em adiar a saída do Reino Unido do bloco, mas exigiu condições para estender o prazo do Brexit. A primeira-ministra Theresa May havia pedido o adiamento até 30 de junho, mas os europeus aceitaram estender o Brexit até 22 de maio, desde que o Parlamento aprove o acordo negociado por ela – e rejeitado duas vezes pelos deputados britânicos. 

Se o acordo não passar na Câmara dos Comuns, o Reino Unido poderia solicitar uma extensão longa, mas desde que May compareça a Bruxelas com um plano de ação até o dia 12 de abril. Se não cumprir o prazo, Londres precisaria organizar e participar das eleições europeias, marcadas para o dia 23 de maio. 

May concordou com o plano. Segundo Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, o Reino Unido tem agora quatro caminhos: deixar a UE com um acordo, sair sem acordo, obter uma extensão ou revogar o Artigo 50, que ativou o Brexit. “Um ponto chave será se o Reino Unido concordará em realizar ou não as eleições para o Parlamento Europeu”, disse Tusk.

O presidente do Conselho Europeu disse ainda que “espera que o Reino Unido indique um caminho a seguir antes do prazo dado”. Segundo ele, o adiamento foi aprovado na quinta-feira, 21, pelos 27 membros da União Europeia após horas de reunião em Bruxelas. 

A decisão do líderes europeus foi tomada depois que eles sabatinaram May, que tinha acabado de apresentar o pedido para que o Brexit fosse adiado de 29 de março para 30 de junho. Fontes ouvidas pelo jornal The Guardian descreveram a performance de May como “desastrosa”. “Foram 90 minutos de nada”, disse. 

Segundo eles, a primeira-ministra não conseguiu convencer os líderes de que tinha um plano para evitar um Brexit sem acordo. Diplomatas e burocratas que estiveram presentes na sabatina contaram que ela foi questionada “diversas vezes” sobre qual seria seu plano caso a Câmara dos Comuns rejeitasse, pela terceira vez, o plano acertado com a UE – ela não soube responder. “Ela nem deu clareza se está organizando uma votação. Foi terrível. Evasivo até mesmo para os padrões dela”, disse uma das fontes citadas pelo Guardian.

Por isso, de acordo com o jornal, os líderes da UE decidiram tomar as rédeas do planejamento. Com May fora da sala, os eles adiaram seus planos para discutir as relações do bloco com a China e lançaram-se a uma maratona de negociações. 

A França e a Bélgica, inicialmente, pediram uma extensão incondicional até o dia 7 de maio. A UE está organizando uma cúpula na cidade romena de Sibiu, em 9 de maio, para debater o futuro pós-Brexit do bloco. Emmanuel Macron, o presidente francês, disse aos líderes que não queria que o caos de um não acordo eclodisse antes que os franceses fossem às urnas para as eleições europeias, em 26 de maio. 

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, teriam pressionado por “flexibilidade”. Após mais de cinco horas de discussões, eles apresentaram o plano, que foi aceito por May. “Chegamos a um momento decisivo”, disse May. “Agora, cabe ao Parlamento decidir.” / AFP e REUTERS

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