Francisco Seco/AP Photo
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União Europeia adia decisão sobre prorrogação do Brexit

Embaixadores dos outros 27 países do bloco definirão na terça-feira se aceitam o adiamento pedido pelo premiê Boris Johnson

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 12h37

BRUXELAS - A seis dias do Brexit, a União Europeia (UE) adiou nesta sexta-feira, 25, sua decisão a respeito de uma prorrogação da data do divórcio, enquanto aguarda a decisão do Parlamento britânico sobre as eleições antecipadas propostas pelo primeiro-ministro Boris Johnson.

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Os embaixadores dos outros 27 países da UE definiram a próxima terça-feira, 29, como o prazo máximo para decidir a duração da prorrogação "tendo em vista os acontecimentos em Londres", disseram diplomatas europeus.

O prazo de terça-feira não é trivial. Antes de decidir a data, os europeus querem saber se o Parlamento britânico apoiará, em uma votação na segunda-feira, a proposta de Boris Johnson de adiantar as eleições legislativas para 12 de dezembro

"Não podemos fazer ficção política, precisamos de fatos para tomar decisões", alertou a secretária francesa de Estado para os Assuntos Europeus, Amélie de Montchalin.

A França, um dos poucos países do bloco que defende uma prorrogação mais curta do Brexit e não até 31 de janeiro, como Johnson relutantemente pediu, ecoa a incerteza política que reina na Câmara dos Comuns.

Ao contrário de sua antecessora Theresa May, que não obteve o apoio dos deputados para o seu acordo de Brexit, Boris Johnson conquistou na terça-feira uma vitória no Parlamento, que apoiou o pacto concluído com a UE dias antes, mas se recusou a tramitá-lo com urgência.

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"Um Parlamento zumbi não é bom para ninguém", disse nesta sexta o ministro das Finanças britânico Sajid Javid, para quem haverá uma extensão "por causa das ações do Parlamento".

Para pressionar Westminster, onde seu governo perdeu a maioria, Johnson pediu eleições antecipadas em 12 de dezembro, mas precisa do apoio de dois terços de uma câmera que no passado já havia negado essa possibilidade. 

Em uma carta ao líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, na qual solicitou seu apoio para convocar as eleições, Johnson pediu "que acabe com esse pesadelo e dê ao país uma solução o mais rápido possível". 

Mas Corbyn cobrou que primeiro o cenário de um "Brexit sem acordo" em 31 de outubro seja descartado, o que poderia ser alcançado com uma extensão da UE, antes de "apoiar" a convocatória para eleições antecipadas.

Um diplomata europeu alertou que a data da prorrogação, dada como certa na UE, dependerá "da decisão ou não de realizar eleições antecipadas". "Os 27 não querem ser o brinquedo das aventuras britânicas", acrescentou.

A própria porta-voz da Comissão Europeia (CE), Mina Andreeva, admitiu nesta sexta-feira que foi pactuado "o princípio de uma extensão" e que os responsável continuarão trabalhando no assunto nos próximos dias.

O Reino Unido decidiu se tornar o primeiro país a deixar o bloco por 52% dos votos em um referendo em 2016. Os britânicos deveriam ter saído em março passado, mas diante do persistente bloqueio parlamentar, a data da partida já foi adiada duas vezes. / AFP e EFE

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