Yann Schreiber/AFP
Yann Schreiber/AFP

União Europeia afirma que vai impor sanções à Bielo-Rússia

Bloco discute embargo à venda de armas que possam ser usadas contra os manifestantes por forças de segurança

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2020 | 04h30

Os chanceleres da União Europeia (UE) deram sinal verde na sexta-feira, 14, para a adoção de sanções contra a Bielo-Rússia após a forte repressão imposta pelo presidente Alexandre Lukashenko aos opositores que rejeitam o resultado da eleição que o reconduziu ao cargo – ele está há 26 anos no poder. O bloco não reconhece a vitória dele na eleição.

“A UE iniciará agora um processo de sanções contra os responsáveis pela violência, prisões e pela fraude em relação às eleições”, tuitou a ministra sueca das Relações Exteriores, Ann Linde. Três autoridades europeias disseram à agência de notícias Agência France Press que, durante a videoconferência, nenhum chanceler se opôs à decisão.

Desde domingo, a ex-república soviética é palco de protestos contra a reeleição de Lukashenko, que obteve 80% dos votos, segundo as autoridades. As forças de segurança tem agido com violência contra as manifestações. Há até agora pelo menos dois mortos, dezenas de feridos e 6,7 mil presos.

Entre as sanções avaliadas, a UE pretende vetar a venda de armas que possam ser usadas nas ações contra os manifestantes. “Precisamos de mais sanções contra aqueles que violaram os valores democráticos e abusaram dos direitos humanos”, disse a titular da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O chanceler lituano, Linas Linkevicius, cujo país acolhe a líder da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, propôs a criação de um fundo da UE para ajudar manifestantes atingidos pela repressão policial.

A chanceler alemã, Angela Merkel, exigiu a libertação incondicional e imediata dos manifestantes detidos.

Já Sviatlana pediu na sexta mais protestos pacíficos e fez um apelo a seus apoiadores para que assinem uma petição online que exige uma recontagem dos votos da eleição presidencial, que acredita ter sido fraudada.

Em um vídeo publicado no YouTube, a opositora também pediu aos apoiadores que exijam uma investigação oficial sobre a votação de domingo. “Precisamos deter a violência nas ruas das cidades bielo-russas. Conclamo as autoridades a iniciar um diálogo”, disse.

“Peço aos prefeitos de todas as cidades, em 15 e 16 de agosto, para agirem como organizadores de reuniões em massa pacíficas em cada cidade grande ou pequena”, disse.

Já Lukashenko disse para a população não ir às ruas e disse que as manifestações são uma atitude fomentada fora do país. “Entenda que você e seus filhos estão sendo usados como buchas de canhão”, afirmou, segundo a agência de notícias oficial BelTA. Ele lamentou as agressões contra manifestantes, mas disse que policiais também foram feridos.

Ainda segundo a BelTA, o chanceler bielo-russo, Vladimir Makei, disse que seu país está pronto para um “diálogo construtivo e objetivo” com seus parceiros estrangeiros sobre a eleição e seus desdobramentos. / AFP, REUTERS e EFE

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.