REUTERS/Darrin Zammit Lupi
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Europa anuncia fundo de 1,8 bilhão de euros para ajudar a crise migratória na África

Bloco pediu que os 28 países contribuam para duplicar o valor, mas eles se comprometeram a ajudar com 78 milhões de euros

O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2015 | 09h14

LA VALETA - A União Europeia (UE) anunciou nesta quinta-feira, 12, em La Valeta um fundo de ajuda para a África de 1,8 bilhão de euros para tentar conter a crise migratória, e pediu que cada um dos 28 Estados membros contribua para duplicar esse número.

Contudo, no momento, os países se comprometeram somente a contribuir com um total de 78 milhões de euros adicionais ao montante concedido pela UE, segundo números da Comissão Europeia.

O fundo tem como objetivo lutar “contra as causas profundas da imigração irregular na África”, afirmou o presidente executivo da UE, Jean-Claude Juncker. A medida deve possibilitar o financiamento do plano de ação que países africanos e europeus esperam adotar em uma reunião em Malta.

“Para que o fundo para a África e nossa resposta sejam possíveis, quero ver mais Estados membros contribuírem para se alinhar à soma de 1,8 bilhão desbloqueados pela UE”, e alcançar um total de 3,6 bilhões, insistiu Juncker.

Segundo a Comissão, 25 Estados membros da UE, incluindo Noruega e Suíça, já anunciaram contribuições em um total de 78,2 milhões de euros, número longe da meta do bloco.

O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, cujo país acaba de reintroduzir controles fronteiriços temporários como um forma de lidar com o fluxo de imigrantes que chegam à Europa, considerou que o espaço de Schengen, zona de livre circulação no bloco, só é sustentável se todos os Estados membros cooperarem. "Não é uma questão para um dos países, é uma questão para toda a UE. Precisamos de outro sistema, isso é óbvio."

A ministra britânica do Interior, Theresa May, destacou que “devemos ter a possibilidade de devolver a África para as pessoas”. A presidente da Lituânia, Dalia Grybauskait, disse que “as fronteiras exteriores da UE não estão nada seguras”.

Para a representante da Irlanda, a ministra da Justiça Frances Fitzgerald, “o êxito da reunião será visto na implementação do programa nos próximos meses e anos”. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse que o encontro entre UE e África não está permitindo esclarecer os pontos básicos da questão migratória porque não se fala abertamente, e alegou que não se considere a imigração como algo positivo.

O presidente da Estônia, Taavi Roivas, afirmou que “não é possível enfrentar essa crise sozinho”. Embora ele tenha dito que compreende a posição da Suécia “pela seriedade da situação”, apontou que “voltar a levantar muros na União Europeia não é uma solução sustentável”.

A presidente da União Africana, Nkosazana Dlami-Zuma, reiterou seu apelo à cooperação entre Europa e África, algo que considerou “absolutamente necessário”. Para o líder nigeriano, Mahamadou Issoufou, “o objetivo essencial” é combater a principal razão da imigração: a pobreza. /AFP e EFE

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