Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

União Europeia anunciará novas sanções a petróleo e Banco Central do Irã

Objetivo dos europeus é fazer o governo de Mahmoud Ahmadinejad enfrentar dificuldades econômicas

Andrei Netto e Roberto Simon, do Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2012 | 21h50

RIO - A União Europeia deve anunciar na segunda-feira, 19, mais uma rodada de sanções econômicas contra o Irã, em retaliação ao desenvolvimento do programa nuclear do país persa, suspeito de ter fins militares. A medida foi anunciada nesta quinta-feira, 19, em Paris pelo chanceler francês, Alain Juppé. Em visita ao Brasil, o secretário do Exterior britânico, William Hague, confirmou que novo pacote de sanções unilaterais ao Irã inclui restrições à importação de petróleo iraniano.

 

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Além do petróleo, o Banco Central iraniano também deve ser alvo de punições, disse Juppé, após reunião com o ministro de Relações Exteriores da Austrália, Kevin Rudd. O assunto nevrálgico das discussões diz respeito ao comércio de petróleo e seus derivados. A ideia é que, caso as sanções sejam de fato aplicadas, o governo de Mahmoud Ahmadinejad enfrente dificuldades econômicas em decorrência da queda do comércio exterior.

 

Rudd defendeu que a China também reveja sua política de compras de petróleo do Irã, adaptando-se às sanções já impostas pela comunidade internacional. "Nós pedimos aos países que continuam suas importações que levem em consideração as medidas da comunidade internacional destinadas a exercer a pressão necessária para obter uma mudança da posição iraniana", exortou o ministro australiano.

 

Posição brasileira

 

No Rio, Hague reconheceu que os governos britânico e brasileiro têm "diferentes perspectivas" sobre como lidar com o programa atômico de Teerã e defendeu que o impasse nuclear seja resolvido antes de se tornar um problema potencialmente maior no futuro.

 

"O Brasil e a América Latina estão livres da ameaça da guerra há muito tempo, enquanto nós, na Europa, não. E a História mostra que às vezes é melhor confrontar firmemente o problema em seu início, em vez de pagar um imenso preço mais tarde."

O chanceler britânico defendeu ainda uma pressão internacional pacífica e legítima sobre o programa nuclear do Irã.

 

"Não estou advogando uma ação militar, algo que teria consequências calamitosas", completou, dando a entender que seu governo tomaria distância de um ataque-surpresa de Israel contra Teerã.

 

O pacote de punições ao Irã, que será aprovado pela UE na segunda-feira, afirmou Hague, inclui "várias sanções de longo alcance" - ele evitou usar a palavra "embargo". Ao mesmo tempo, europeus continuarão dispostos a conduzir "negociações sérias", que respeitam "o direito iraniano de ter um programa nuclear para fins pacíficos".

 

Síria

 

Os comentários de Hague foram feitos em um evento organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Palácio do Itamaraty do Rio, que abordou a Primavera Árabe.

 

Questionado sobre se Londres apoiaria a criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Síria, Hague levantou dúvidas sobre a eficiência de medidas desse tipo. "O pior que podemos fazer é sugerir às pessoas que elas estão salvas, quando elas não estão", afirmou. "A imposição de regiões livres dentro da Síria significaria o envio de milhares de soldados para combater um bem equipado Exército de 300 mil homens. Seria calamitoso." 

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