James Hill/The New York Times
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UE chega a acordo para aprovar sanções à Rússia por caso Navalni

Sanções ao país vêm após a falta de explicação confiável de Moscou sobre a presença de Novichok no corpo do principal nome da oposição russa; diplomatas também chegam a consenso para medidas contra Alexander Lukashenko

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2020 | 12h06

LUXEMBURGO - Os chanceleres da União Europeia fecharam nesta segunda-feira, 12, acordos políticos para a adoção de sanções contra o presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, e autoridades russas pelo envenenamento do líder da oposição Alexei Navalni. Durante uma reunião em Luxemburgo, os ministros negociaram a unanimidade necessária para a aplicação das sanções. 

De acordo com três fontes, os 27 ministros das Relações Exteriores da União Europeia concordaram em iniciar os preparativos para essas sanções, conforme proposto pela França e pela Alemanha, que afirmam que a Rússia foi responsável pelo uso do agente nervoso da era soviética, Novichok, contra Navalni.

Berlim e Paris afirmam não ter recebido uma explicação confiável de Moscou para o que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) disse ser a presença de Novichok em seu corpo.

“Esta violação da convenção química não pode permanecer sem consequências”, disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, ao chegar à reunião. 

Um crítico do governo de Vladimir Putin, Navalni, 44, adoeceu gravemente no dia 20 de agosto enquanto viajava em um avião na Sibéria, quando fazia campanha em nome de oponentes para as eleições locais e regionais. Depois de ser tratado por alguns dias em um hospital siberiano, ele foi transferido para um centro especializado em Berlim e continua a recuperação na capital alemã.

O opositor russo acusou Putin diretamente de estar por trás de seu envenenamento,  o que foi rejeitado por Moscou. Nesta segunda, um diplomata alemão disse à AFP que em Luxemburgo havia um "amplo consenso" entre os ministros para preparar essas sanções. França e Alemanha pressionaram de forma coordenada por essa medida.

Endurecimento contra Moscou 

A velocidade com que as duas principais potências da Europa concordaram em levar adiante as sanções sugere um endurecimento da diplomacia do bloco em relação a Moscou. O movimento contrasta com 2018, quando demorou quase um ano para que a UE aprovasse sanções contra os russos após um ataque de agente nervoso a um espião russo na Grã-Bretanha.

O ministro das Relações Exteriores da Áustria, Alexander Schallenberg, cujo país é um dos aliados mais próximos da Rússia no bloco, disse que não poderia haver um "retorno aos negócios como de costume" e que Moscou falhou em ajudar a esclarecer dúvidas sobre o envenenamento. Eles concluíram que não havia outra explicação plausível para o envenenamento de Navalni do que uma "responsabilidade e participação russa."

Sanções contra Lukashenko

No caso bielo-russo, a UE já havia adotado sanções contra 40 altas autoridades pela manipulação das eleições de 9 de agosto e pela repressão brutal aos protestos da oposição que se seguiram. Pelo acordo político desta segunda, os chanceleres vão ampliar essa lista de sancionados para adicionar Lukashenko. 

"De acordo com a abordagem progressiva que foi adotada, a UE está pronta para tomar outras medidas restritivas, especialmente contra entidades e funcionários do alto escalão, incluindo Alexander Lukashenko", afirmaram os ministros. 

As sanções consistem na "proibição de viajar para a UE e no congelamento de bens" contra pessoas consideradas responsáveis pela manipulação e pela repressão aos protestos. Membros da família do presidente também serão sancionados. 

Fontes próximas às negociações em Luxemburgo garantiram que não havia objeções à proposta de ampliar a lista de sancionados para incluir Lukashenko. Em sua última cúpula, realizada em Bruxelas, os líderes da UE se abstiveram de punir Lukashenko diretamente, na esperança de persuadi-lo a dialogar com as forças da oposição para resolver a crise.

No entanto, no último domingo, a polícia bielorrussa voltou a dispersar violentamente um protesto na capital, Minsk, e com isso a pressão aumentou. A UE não reconhece o resultado das eleições de agosto e não considera Lukashenko o presidente legítimo da Bielo-Rússia./ Reuters e AFP

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