Pat Lachance/Quebec Ministry of Health and Social Services via REUTERS
Pat Lachance/Quebec Ministry of Health and Social Services via REUTERS

União Europeia avalia doar 5% de suas vacinas contra a covid a países pobres, diz documento

Plano esboçado pelo governo da França estabelece pela primeira vez uma meta clara, mas pode prejudicar mecanismo liderado pela OMS

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2020 | 17h34

BRUXELAS - A União Europeia pode doar para nações mais pobres 5% das vacinas contra covid-19 que adquirir, mostrou um documento interno do bloco visto pela agência Reuters.

O plano, esboçado pelo governo da França, estabelece pela primeira vez uma meta clara para doações – até então, o repasse só seria uma opção em caso de sobra de doses.

Pelo plano francês, que ainda precisa do aval dos 27 países da UE, até 65 milhões de doses de vacinas contra covid-19 poderiam ser doadas pelo bloco. O número representaria 5% das 1,3 bilhão de doses que a UE já assegurou até o momento sob seis acordos avançados de compras firmados com Pfizer/BioNTech, Moderna, Johnson & Johnson, AstraZeneca/Oxford, Sanofi/GSK e CureVac, mostra o documento.

A medida, no entanto,  pode prejudicar o Covax, mecanismo de distribuição de imunizantes co-liderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que tem a meta de entregar 2 bilhões de doses até o final do ano que vem para pelo menos 20% da população mundial.

Embora o plano proponha utilizar o mecanismo para identificar países que mais precisam de ajuda, as vacinas seriam diretamente entregues pelos fabricantes que têm um acordo de fornecimento com a UE – uma forma de diminuir custos operacionais. 

O documento estima que as doses doadas podem ser usadas na vacinação, geralmente em duas doses, de 16 milhões de profissionais de saúde em 62 países pobres. Trabalhadores médicos e de enfermagem em outros 54 países de baixa renda também podem se beneficiar da doação.

Até agora o Covax tem tido dificuldade de encomendar doses, já que a maioria já foi reservada por países ricos, incluindo os da UE que, apesar de financiarem o mecanismo da OMS, preferiram não comprar vacinas por meio dele porque não quiseram ter seu fornecimento limitado a 20% da população, disseram autoridades do bloco à agência Reuters. /REUTERS

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