União Europeia condena morte de jornalista saudita e exige 'investigação exaustiva' de Riad

União Europeia condena morte de jornalista saudita e exige 'investigação exaustiva' de Riad

Autoridades de diversos países europeus pediram transparência aos árabes na investigação da morte de Jamal Khashoggi

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2018 | 09h21
Atualizado 21 de outubro de 2018 | 18h01

BRUXELAS – A União Europeia se posicionou sobre o caso do jornalista Jamal Khashoggi. A alta representante da entidade para a Polícia Externa, Federica Mogherini, afirmou no sábado, 20, que a morte do saudita está repleta de circunstâncias "profundamente preocupantes", depois que a Arábia Saudita admitiu que Khashoggi morreu dentro do consulado do país em Istambul, na Turquia.

"Depois de quase três semanas, os fatos finalmente estão aparecendo, confirmando que o jornalista saudita Jamal Khashoggi foi assassinado no consulado geral da Arábia Saudita em Istambul no dia 2 de outubro", afirmou Mogherini em comunicado. 

"A União Europeia, assim como seus parceiros, insiste na necessidade de uma investigação exaustiva, crível e transparente, esclarecendo as circunstâncias do crime e garantindo a plena responsabilidade de todos os envolvidos", acrescentou a diplomata. 

Federica enviou condolências em nome dos membros do bloco aos familiares e amigos de Khashoggi e destacou o trabalho do jornalista.

"Reafirmamos o nosso compromisso com a liberdade de imprensa e a proteção de jornalistas no mundo todo. A memória de Jamal Khashoggi, a família do jornalista e os seus amigos merecem justiça."Jamal Khashoggi desapareceu há quase três semanas, depois de entrar no consulado saudita na Turquia, onde foi buscar documentos para poder se casar com sua namorada.

Na sexta-feira, 19, o governo da Arábia Saudita declarou que ele morreu por causa de uma briga com agentes dentro do prédio. Dezoito pessoas estão presas, e o vice-diretor do serviço de inteligência da Arábia Saudita foi afastado. Porém, o corpo do jornalista ainda não foi enconrtado. O governo saudita afirma que a operação não foi autorizada, e o rei Salman nomeou o príncipe herdeiro Mohammad bin Salman para chefiar a investigação.

Alemanha pede transparência a Riad

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em comunicado conjunto com seu ministro de Exteriores, Heiko Maas, condenou da maneira “mais drástica” a morte de Khashoggi.

"Condenamos o fato da maneira mais drástica. Esperamos transparência de parte da Arábia Saudita a respeito das circunstâncias da morte. Os responsáveis têm que prestar contas", diz o comunicado.

Merkel e Maas também afirmaram que as explicações dadas até agora por Riad são insuficientes e expressaram condolências à noiva do jornalista, a seus parentes e aos seus amigos "cujos temores se viram tristemente confirmados".  A chanceler inclusive anunciou a a suspensão da venda de armas para a Arábia Saudita, que considerou inviável diante da atuação situação. 

"As exportações de armas não podem acontecer no momento em que estamos", disse Merkel, em Berlim, após uma reunião com integrantes do seu partido, a União Democrata-cristã (CDU).

Em entrevista a um canal de TV local, Mass já havia alertado que a Alemanha deveria suspender a venda de armas para a Arábia Saudita até que os saudistas elucidem o que ocorreu com Khashoggi. 

Nos últimos meses, o governo alemão foi muito criticado por ter aprovado o envio de material militar ao reino. A aprovação de exportações de armas não depende do Ministério de Relações Exteriores, mas do Ministério de Economia, mas Maas afirmou que as evndas foram poucas se comparadas ao número de soliticações.

O ministro cancelou a participação que faria em um congresso sobre economia em Riad e disse compreender todos os que se negarem a viajar à Arábia Saudita atualmente. Vários empresários alemães seguiram o exemplo.

França também condena Riad e pede investigação

Também o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, considerou que as explicações dadas pela Arábia Saudita não respondem a todas as questões e exigiu uma investigação mais apurada.

"Muitas perguntas permanecem sem resposta. Estas exigem uma investigação exaustiva e diligente para definir todas as responsabilidades e permitir que os responsáveis da morte de Jamal Khashoggi respondam pelos seus atos", afirmou o ministro em comunicado.

Explicação saudita 'não é crível', diz ministro britânico

O ministro britânico a cargo do Brexit, Dominic Raab, falou neste domingo, 21, que as explicações do reino saudita sobre a morte do jornalista não são consistentes.

"Não, não acredito que sejam críveis", afirmou Raab em entrevista à BBC, em oposição ao que o presidente Donald Trump declarou na manhã de sábado, quando disse que as respostas de Riad são críveis. Horas depois, no entanto, Trump voltou atrás e reconheceu que "não está satisfeito" com a falta de respostas do governo saudita sobre o que ocorreu com o jornalista no consulado. 

"Respaldamos a investigação [das autoridades turcas] para saber quais foram os fatos, porque existe uma séria dúvida sobre a explicação que se deu. O governo britânico quer que se designem os responsáveis por esta morte", completou Raab. / AFP, EFE e REUTERS

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