Ria Novosti/AP
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UE congela bens e Casa Branca diz que vai impor sanções a Putin e Lavrov

Mais cedo, o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, fez um apelo para que os europeus agissem diretamente contra o governo de Moscou, e defendeu a retirada da Rússia do sistema Swift

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2022 | 16h32
Atualizado 25 de fevereiro de 2022 | 19h12

BRUXELAS - A União Europeia concordou nesta sexta-feira, 25, em congelar quaisquer bens europeus do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e de seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, enquanto o líder da Ucrânia pedia ações mais rápidas e contundentes para punir a invasão russa de seu país. Mais tarde, nesta sexta-feira, a Casa Branca afirmou que os EUA também vão impor sanções econômicas e restrições de viagem aos dois, em uma rara, mas não sem precedentes, medida americana de impor penalidades a um chefe de Estado. 

"O presidente Putin e o ministro das Relações Exteriores Lavrov estão na lista de pessoas que receberão sanções", disse o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, ao fim de uma reunião de emergência dos chanceleres europeus para definir em detalhes as novas sanções contra a Rússia. A decisão unânime da UE, parte de um pacote de sanções mais amplo, indicou que as potências ocidentais estão adotando medidas sem precedentes para tentar forçar Putin a impedir a invasão total do país vizinho e desencadear uma enorme guerra na Europa

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse à TV russa, porém, que as sanções contra Putin e Lavrov mostram a "impotência" dos países ocidentais". E alertou que as relações de Moscou com o Ocidente estão se aproximando do "ponto sem retorno".

Esta é a segunda onda de sanções da Europa contra a Rússia, mas até então as medidas atingiam apenas pessoas do círculo próximo de Putin, bancos e instituições financeiras. Após apelos do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, os líderes europeus concordaram em impor os congelamentos a Putin e Lavrov, e não descartam uma terceira rodada de ações.

"O mais importante é que Putin e Lavrov, responsáveis por esta situação, sejam severamente punidos pela UE", declarou a ministra alemã das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, ao chegar à reunião em Bruxelas. "Vamos atingir o governo de Putin onde deveria ser atingido: não não apenas o plano econômico e financeiro, mas no centro do poder".

O ministro das Relações Exteriores da Áustria, Alexander Schallenberg, disse que a medida seria “um passo único na história em direção a uma potência nuclear, um país que tem assento permanente no Conselho de Segurança, mas também mostra o quão unidos estamos”. Não ficou claro qual seria o impacto prático sobre os dois homens e qual a importância de seus ativos na UE.

Um movimento igualmente grande seria proibir Putin e Lavrov de viajar para a UE. Mas os líderes deixaram claro que isso estaria fora da mesa por enquanto, já que poderia complicar os movimentos diplomáticos.

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Segundo a porta-voz da Casa Branca, a opção de impor sanções a Putin estava "sobre a mesa" há algum tempo, e nas últimas 24 horas o presidente americano tomou a decisão final após conversas com os aliados europeus. As sanções contra Putin incluem a proibição de viajar para os EUA, disse Psaki, que repetidamente insistiu que os detalhes seriam liberados mais tarde. 

Apesar da proibição de viagens dos EUA, Putin ainda poderá viajar para as Nações Unidas, cuja sede fica em Nova York, como ocorreu no passado com membros dos governos de Irã, Venezuela e Coreia do Norte penalizados por Washington. Embora a Casa Branca não tenha dado detalhes, a punição econômica dos EUA geralmente congela a propriedade e os bens financeiros daqueles que são penalizados.

Eles também ficam proibidos de realizar transações financeiras com qualquer cidadão americano, o que em teoria dificulta seu acesso ao sistema financeiro internacional, que é baseado no dólar. Entretanto, não se sabe que bens Putin, Lavrov e outros membros de sua equipe de segurança podem ter sob a jurisdição dos EUA.

Apesar disso, Psaki rejeitou a ideia de que as sanções são apenas um gesto simbólico e considerou que elas enviam "uma mensagem clara" sobre a forte antipatia de Washington por Putin e as ações que ele tomou na Ucrânia. 

Expulsão do Swift como 'arma'

Zelenski instou mais cedo a Europa a agir com mais rapidez e força na imposição de sanções a Moscou, acusando os aliados ocidentais de politicagem enquanto as forças de Moscou avançam rapidamente sobre Kiev.

Conforme as tropas adetram a capital no segundo dia de combates, o ministério do Interior da Ucrânia disse que os moradores devem “preparar coquetéis molotov” para deter os invasores.

"Vocês ainda podem parar essa agressão. Vocês tâm que agir rapidamente", disse Zelenski, acrescentando que proibir russos de entrar na UE, cortar Moscou do sistema global de pagamentos interbancários Swift e um embargo ao petróleo devem estar na mesa.

As sanções desta sexta também terão como alvo as elites russas e dificultarão as viagens de diplomatas, mas os líderes da UE optaram por não restringir as importações de energia russa ou cortar a Rússia do Swift - não sem objeções da Alemanha, Itália e Reino Unido.

Segundo o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, remover a Rússia do sistema interbancário continua sendo uma opção, mas apenas como uma "arma nuclear financeira" de último recurso. Ele disse que alguns países da UE, mas não a França, têm reservas sobre tal medida, e que o Banco Central Europeu deve entregar uma análise "nas próximas horas" sobre as consequências se a medida for tomada.

Annalena Baerbock disse que a opção de cortar do Swift representava um risco de prejudicar indivíduos, como aqueles que tentam enviar dinheiro a parentes na Rússia. "Enquanto as pessoas responsáveis ​​pelo derramamento de sangue ainda poderão fazer seus negócios bancários".

Advertindo ainda mais a Rússia, o Conselho da Europa suspendeu a Rússia da principal organização de direitos humanos do continente. O conselho de 47 nações disse que a Rússia continua sendo membro e continua vinculada às convenções de direitos humanos relevantes.

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Desde que pagou um alto preço pela anexação da do território ucraniano em 2014, a Rússia tentou tornar sua economia à prova de sanções e isolamento.

Implacável no jogo de sanções punitivas, a Rússia iniciou suas próprias medidas, proibindo voos britânicos para e sobre seu território em retaliação a uma proibição semelhante do Reino Unido aos voos da Aeroflot.

As autoridades russas também anunciaram a “restrição parcial” de acesso ao Facebook depois que a rede social limitou as contas de várias mídias apoiadas pelo Kremlin. A agência estatal russa de comunicações Roskomnadzor disse que exigiu que o Facebook suspendesse as restrições impostas na quinta-feira à agência de notícias estatal RIA Novosti, ao canal de TV estatal Zvezda e aos sites de notícias pró-Kremlin Lenta.Ru e Gazeta.Ru.

Tropas avançam sobre Kiev

Enquanto os Europeus decidiam sobre a nova rodada de sanções à Rússia, as forças do país continuavam promovendo um cerco à capital ucraniana. Bombardeios têm sido ouvidos na cidade desde a madrugada. Em consequência das explosões, há fumaça preta nos arredores do rio Dnieper, que corta a cidade. Os tanques governistas estão nas ruas, em sinal de preparação para a resistência armada.

A orientação do governo local à população é se manter em local seguro. A sirene de emergência já soou em Kiev ao menos três vezes na quinta-feira. Trata-se do aviso para que todos se dirijam a bunkers ou abrigos, em razão do risco de bombardeio em massa.

O Exército da Ucrânia fez uma convocação todos os os civis se alistarem: "Precisamos de todos os recrutas, sem restrições de idade", disse uma primeira mensagem publicada em uma rede social. A convocação, presumivelmente, vale também para menores de idade, e alcança homens e mulheres. 

Em meio à piora da situação militar, Zelenski propôs Putin uma negociação, segundo a agência de notícias russa RIA. O presidente ucraniano disse que está disposto a dialogar e até mesmo adotar um “status neutro” - o que, na prática, significaria o abandono da ambição de entrar na Otan./AFP, AP, EFE e REUTERS

 

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