União Européia e ONU atenuam boicote a governo palestino

A União Européia e a Organização das Nações Unidas atenuaram nesta quarta-feira, 21, o boicote diplomático ao governo palestino, ao aceitarem encontros com ministros que não pertencem ao grupo islâmico Hamas. Na terça-feira, um importante diplomata norte-americano se encontrou com o ministro palestino das Finanças, Salam Fayyad, que não é filiado a partidos, mas tem boas ligações com a Casa Branca e com a facção Fatah, do presidente Mahmoud Abbas. O representante da UE no Oriente Médio, Marc Otte, se reuniu também na terça-feira em Gaza com o chanceler palestino, Ziad Abu Amr. O enviado da ONU, Álvaro de Soto, pretende encontrar Fayyad nesta quarta-feira em Ramallah (Cisjordânia), disseram fontes da ONU. Essas reuniões marcam o restabelecimento de contatos ao menos limitados entre o governo palestino e o chamado Quarteto de Mediadores do Oriente Médio (EUA, Rússia, União Européia e ONU). EUA e IsraelMas autoridades dos EUA e de Israel disseram que permanece em vigor a proibição da ajuda direta ao governo palestino, imposta há um ano pelo Quarteto ao governo palestino que tomou posse naquela época, dominado pelo Hamas. O governo israelense rejeita contatos com o novo governo palestino, alegando que ele não atende às três condições impostas pelo Quarteto: reconhecer a existência de Israel, abandonar a violência e cumprir os acordos de paz prévios. Em entrevista ao jornal Corriere della Sera, o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, disse ter pedido à Itália que use a visita do seu chanceler a Washington, na segunda-feira, para "levar um recado ao governo norte-americano: este governo (palestino) está interessado no diálogo com os Estados Unidos e a Europa." "Os norte-americanos deveriam ver o copo como meio cheio, não como meio vazio." União EuropéiaSegundo Haniyeh, a França enviou um convite para uma visita do chanceler Ziad Abu Amr, que não é ligado ao Hamas nem à Fatah. "Temos a informação de que alguns chanceleres europeus estão prontos para virem à Faixa de Gaza para reunirem-se comigo e com outros ministros", disse Haniyeh ao jornal italiano, afirmando ser "cedo para tornar público" de que países são esses ministros. Apesar da sanção ao governo palestino, a ONU estima, segundo dados divulgados em dezembro, que a ajuda externa aos palestinos cresceu de US$ 1 bilhão em 2005 para US$ 1,2 bilhão no ano passado. O aumento ocorre porque UE, EUA e outros doadores canalizaram para instituições humanitárias o dinheiro que do contrário poderia ir para o governo local.

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