União Europeia impõe embargo a petróleo sírio

Vendas do produto para os europeus representava US$ 4,4 bilhões anuais para o regime de Assad

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Sem conseguir chegar a um acordo para aprovar sanções contra o regime de Bashar Assad no Conselho de Segurança da ONU, a União Europeia decidiu seguir a mesma via dos EUA e impor um embargo ao petróleo da Síria. A decisão dos europeus foi tomada durante mais uma sexta-feira de repressão a manifestações em cidades sírias, com 13 mortos, segundo a oposição - o governo de Damasco nega.

O impacto do embargo ao petróleo importado da Síria não afetou o mercado internacional. O país produz 400 mil barris por dia e pouco mais de um terço é exportado. Internamente, o regime de Damasco terá perdas econômicas, já que o petróleo vendido para os europeus representava um faturamento anual de US$ 4,4 bilhões. Além disso, Shell e Total devem suspender investimentos no país.

A alternativa para a Síria, segundo analistas, será buscar mercados na Ásia para seu petróleo. Nessas condições, precisará vender o barril com um desconto que reduzirá a renda do regime. Atualmente, o governo da Síria tem US$ 17 bilhões em reservas que vêm sendo queimadas ao longo da crise. O turismo, outra fonte importante de ingressos, está quase paralisado. Para evitar uma piora da situação, o Banco Central em Damasco restringiu a troca da moeda local por dólar ou euro.

O governo americano considera importante a iniciativa da União Europeia, mas lamenta a falta de uma ação mais dura da comunidade internacional. "A ONU aprovou uma declaração presidencial há algumas semanas, mas ainda queremos ações adicionais do Conselho de Segurança e isso vem sendo discutido em Nova York", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner. A Rússia e a China, que possuem poder de veto, estão relutantes em apoiar uma resolução com sanções à Síria. O Brasil ainda não adotou uma posição oficial sobre a proposta europeia, ainda em negociação.

Na Síria, manifestantes voltaram a sair às ruas em cidades como Homs e Deir al-Zor. Os protestos foram menores do que em semanas anteriores e cidades como Hama e Latakia não tiveram grandes atos contra Assad. Manifestações pequenas ocorreram nos subúrbios de Damasco, mas, mais uma vez, os opositores fracassaram em organizar levantes no centro da capital e em Alepo, centro financeiro do país, sem registro de protestos até agora.

Mesmo com a redução dos protestos, o regime teria matado 13 manifestantes ontem, segundo opositores. Não há confirmação independente, já que a Síria restringe a entrada de jornalistas estrangeiros.

"A campanha militar do regime durante o mês do Ramadã obteve sucesso em limitar o tamanho e o número de protestos, mas fracassou na tentativa de eliminar os levantes e minou ainda mais a posição externa da Síria", disse Ayham Kamel, especialista em Oriente Médio da consultoria de risco político Eurasia, em análise ao Estado.

"Além disso, em resposta aos ataques do governo, os manifestantes estão ficando cada vez mais militarizados, elevando o risco de guerra civil", acrescentou, lembrando que líderes opositores afirmaram nesta semana que pretendem seguir a mesma via dos rebeldes líbios que tiveram sucesso, com a ajuda da Otan, em depor Muamar Kadafi.

Petróleo

400 mil barris diários são produzidos pela Síria 1/3 da produção é exportada

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